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Mundo

Lula defende mais poder aos países em desenvolvimento em órgãos mundiais

Arquivo Geral

23/09/2009 0h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reivindicou hoje que os países pobres e em desenvolvimento aumentem seu poder nas instituições multilaterais, para torná-las mais democráticas e adaptá-las ao mundo atual.

“Um novo mundo é um imperativo político e moral”, afirmou o presidente brasileiro, em seu discurso na tribuna da Assembleia Geral da ONU.

“Apenas agências internacionais mais democráticas e representativas serão capazes de abordar problemas complexos, como reorganizar o sistema monetário internacional”, afirmou Lula.

Ressaltou também que o Conselho de Segurança da ONU, o principal órgão de decisão das Nações Unidas e no qual o Brasil reivindica um assento permanente, “não pode continuar funcionando sob a mesma estrutura imposta depois da Segunda Guerra Mundial”.

Em relação à crise que explodiu nos Estados Unidos e se espalhou por todo o mundo, Lula a definiu como “mais que uma crise de grandes bancos, uma crise de dogmas”.

O controle da crise e a mudança do curso da economia mundial “não podem ser deixados nas mãos de alguns poucos. Os países desenvolvidos” e as agências multilaterais foram “incapazes de frear a catástrofe e muito menos de preveni-la”, ressaltou.

Doze meses depois, “observamos alguns progressos, mas persistem muitas dúvidas”, disse o governante brasileiro, que defendeu confrontar as graves distorções da economia global na área multilateral.

Lula, que abriu o debate da Assembleia Geral e foi o primeiro chefe de Estado a discursar neste fórum, criticou duramente os países ricos por não enfrentar a reforma das agências multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, e pela paralisia das negociações da Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial.

Sessenta e cinco anos depois, disse, o mundo não pode estar sujeito às mesmas regras e valores que prevaleceram na Conferência de Bretton Woods.

Lula disse que seu país se dirige para esse mundo multipolar, mas, ao mesmo tempo, baseado em experiências regionais de integração, como a União de Nações Sul-americanas (Unasul).

O presidente brasileiro também pediu “vontade política” para acabar com o embargo a Cuba e enfrentar a ameaça da mudança climática.

“É necessário construir uma nova ordem internacional que seja sustentável, multilateral e menos assimétrica, livre de hegemonias e regida por instituições democráticas”, concluiu.

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