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Lula apela por paz e prioriza combate à fome em abertura de conferência da FAO

O presidente criticou gastos com armamentos e defendeu investimentos em produção de alimentos durante a cerimônia no Palácio Itamaraty.

Redação Jornal de Brasília

04/03/2026 15h02

Foto: Ricardo Stuckert, PR

Foto: Ricardo Stuckert, PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quarta-feira (4), da abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe (LARC39), realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília. O evento, que ocorre de 2 a 6 de março, é o principal fórum regional para definir prioridades e alinhar ações da FAO no biênio 2026-2027, reunindo ministros, autoridades e representantes dos países da região.

Em seu discurso na cerimônia de abertura, às 10h, Lula fez um apelo por paz global em meio a guerras recentes e defendeu a priorização do combate à fome sobre gastos com armamentos. Ele destacou que o dinheiro gasto em conflitos no ano passado, equivalente a US$ 2,7 trilhões, poderia ser dividido entre os 630 milhões de pessoas que passam fome no planeta, distribuindo US$ 4.285 para cada uma, eliminando a fome com bom senso dos governantes.

Lula enfatizou que a América Latina e o Caribe é a única zona de paz no mundo e que o Brasil optou por não possuir armas nucleares em sua Constituição. Ele criticou o ditado de que quem quer paz se prepara para a guerra, afirmando que isso é para quem quer guerra, enquanto o Brasil busca a paz como única possibilidade de avanço da humanidade.

Dirigindo-se aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – França, Inglaterra, Rússia, China e Estados Unidos –, o presidente questionou por que eles se preocupam mais com o fortalecimento armamentista, como drones e aviões de caça, em vez de com a fome. Segundo ele, esses investimentos visam destruir, não produzir alimentos.

Lula também condenou a destruição na Faixa de Gaza, promovida pelo governo de Donald Trump, que resultou na morte de muitas mulheres e crianças. Ele criticou a criação de um suposto Conselho de Paz para reconstruir a região, comparando-a a um resort em meio a cadáveres, e afirmou que a fome existe devido à irresponsabilidade de líderes eleitos.

Ao final, o presidente agradeceu o papel da FAO e questionou a credibilidade da ONU, que, segundo ele, não cumpre sua carta de criação de 1945 e cede ao fatalismo das guerras. Lula cobrou uma conferência mundial da ONU para discutir conflitos e criticou declarações do presidente Trump sobre poder militar, sugerindo que ele deveria destacar a capacidade de produção e distribuição de alimentos.

*Com informações da Agência Brasil

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