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<i>Milícias</i> de Evo Morales realizarão torneio de tiro ao alvo com rifles

Arquivo Geral

31/03/2008 0h00

< !--StartFragment -- >Os aimarás dos “Ponchos Vermelhos”, viagra approved um grupo radical indígena que afirma ter armas para defender o presidente Evo Morales, illness buscarão os melhores atiradores de rifles em um inédito torneio que será realizado em meados de abril.


Os dirigentes dos Ponchos Vermelhos: Eugenio Rojas, prefeito do município de Achacachi, e Apolinar Quito, dirigente de Warisata, confirmaram à Agência Efe que organizarão o torneio para reeditar antigas práticas militares na região, agora um pouco esquecidas.


O anúncio deste torneio chega em meio ao cada vez mais inflamado conflito político na Bolívia, contaminado há vários meses pela briga entre o presidente Morales e seus opositores autonomistas, no qual algumas previsões apontam para um confronto civil.


Os “Ponchos Vermelhos” são um grupo andino definido por alguns como “as milícias de Morales”, apesar de seus membros destacarem que sua atuação é tão somente sindical – como um agrupamento indígena que promove mudanças políticas, inclusive à margem do atual governante.


O grupo teve várias atuações polêmicas, entre elas a decapitação, perante as câmeras de televisão, de dois cachorros como uma ameaça a opositores – realizada em novembro passado – que foi rejeitada de forma generalizada.


Há mais de um ano também que desfilaram diante do presidente Morales e chefes militares com alguns fuzis velhos, pertencentes a milícias da revolução de 1952 ou que podem inclusive ter sido usados na guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai (1932-1935).


Trata-se de um grupo que, segundo o dirigente Quito, exibe armas que pertenciam a seus avôs, e foram utilizadas durante os enfrentamentos contra militares nos graves protestos de 2003, que terminaram com a renúncia do então presidente Gonzalo Sánchez de Lozada.


O número de membros dos “Ponchos Vermelhos” não costuma ser divulgado, embora Quito sustente que em toda a província Omasuyos possam mobilizar por volta de 10 mil pessoas nos protestos, e até 40 mil, caso os familiares participem.


Politicamente, se identificam com o Governo Morales e suas políticas sociais e econômicas, especialmente com a reforma agrária, dada a grave situação de pobreza da região andina, onde os minifúndios se estenderam, limitando a capacidade de produção.


De fato, uma das principais reivindicações que este grupo faz ao presidente aimará é a repartição de terrenos no departamento opositor de Santa Cruz, rico em extensas terras produtivas, e onde, de acordo com Quito, poderia ser fundada “uma nova ou segunda Omasuyos” com colonos procedentes do planalto.


Esta possibilidade foi rejeitada plenamente pelos líderes políticos e empresariais de Santa Cruz, que se negam à divisão dos latifúndios proposta no projeto constitucional de Evo Morales.


O campeonato de tiro dos “Ponchos Vermelhos” será parte de um programa de várias atividades esportivas para comemorar um novo aniversário da localidade de Warisata, situada na província andina de Omasuyos, a cerca de cem quilômetros de La Paz, entre 14 e 18 de abril.


Segundo o prefeito Rojas, a competição será uma oportunidade para que os jovens das localidades de Achacachi e Warisata, onde há uma presença hegemônica de “Ponchos Vermelhos”, recuperem a memória dessas práticas militares arraigadas entre seus pais e avôs.


“Antes, os jovens praticavam com pedras, com fundas (arma arremessadora de pedras) e armamento. Agora já não existe essa prática. Perceberam que estamos muito fracos e por isso vão organizar com Máuser (rifles antigos) o torneio de tiro ao alvo”, disse Rojas.


Segundo o prefeito, dez organizações camponesas enviarão seus três melhores atiradores, maiores de 30 anos, que serão exclusivamente residentes do local, para o torneio que será disputado após um jogo de futebol entre mulheres indígenas.


Os dirigentes sabem que seu anúncio não será interpretado como meramente esportivo entre os opositores do Governo, embora também sejam claros ao sustentar que nunca descartaram uma “revolução armada” para conseguir seus objetivos, se a democracia não avançar rumo aos seus propósitos políticos.


“Nós nunca descartamos uma guerra civil. Mas quando falamos de uma guerra civil nós não iremos com pedras, com as fundas. É necessário ter armamento”, disse Rojas ao destacar a reposição de “algumas práticas” como a do tiro.

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