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Mundo

Lobo diz que Zelaya é passado e Zelaya afirma que não se rende

Arquivo Geral

30/11/2009 0h00


O virtual presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, afirmou hoje que Manuel Zelaya já faz parte do passado e que buscará uma relação cordial com os outros países, enquanto o destituído afirmou que não se rende, mas também não aceitará sua restituição para “legitimar a fraude eleitoral”.

“Zelaya já foi”, disse Lobo aos jornalistas ao considerar que o presidente deposto já faz parte do passado e lembrar que o governante aceitou com a assinatura do Acordo de Tegucigalpa-San José que o Congresso determine seu futuro em 2 de dezembro.

O virtual presidente hondurenho, que deve assumir o poder a partir 27 de janeiro, manifestou que agora pretende “buscar uma relação cordial e muito fraterna com todas as nações”, às que pedirá que “entendam a realidade” da situação hondurenha.

Também pediu à comunidade internacional que veja a “realidade” de seu país e não siga “castigando” o seu povo, ao ressaltar que o pleito “não têm nada a ver” com o golpe de Estado de 28 de junho contra Zelaya, quem desde 21 de setembro permanece na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Acrescentou que a comunidade internacional deve aceitar o processo das eleições que se realizaram ontem em Honduras e não seguir “castigando um povo que foi às urnas, a um povo que tem um processo cada quatro anos”.

Grande parte da comunidade internacional não reconheceu o pleito por considerar que se desenvolveram em meio à ruptura da ordem constitucional, sem a presença do legítimo presidente no poder, derrubado por um golpe de estado que abriu uma crise que se estende até agora.

Zelaya, que desde outubro disse que não reconheceria as eleições de ontem, indicou à “Rádio Globo”, de Honduras, que embora os autores do golpe queiram continuar lhe impondo humilhações, ele não pretende se render.

“Não me rendo, embora tenham me ameaçado, embora queiram me humilhar, porque estou defendendo uma causa, é a causa do povo de Honduras”, afirmou o presidente destituído.

Disse que aceitar agora sua restituição na Presidência representaria legalizar as eleições do domingo e insistiu que a abstenção supera 60%.

“Nem restituição para legitimar o golpe, nem para avalizar um processo que é totalmente ilegal”, ressaltou Zelaya após as eleições gerais que ocorreram ontem, sem o respaldo majoritário da comunidade internacional e que deram o triunfo virtual ao opositor Porfirio Lobo.

Conforme o segundo relatório oficial do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), divulgado hoje, Lobo mantém uma vantagem de 16,62 pontos sobre o governista Elvin Santos, quando se apurou 66,31% das urnas.

Lobo, do Partido Nacional, conquistou 52,34% dos 1.790.223 votos apurados, contra 35,72% de Santos, do Partido Liberal, pelos dados divulgados pelo TSE.

As autoridades eleitorais seguem situando a participação ao redor de 61%, mas uma fonte do TSE explicou à Agência Efe que, após um processo de verificação, o percentual poderia ficar entre 57% e 58% com relação ao censo, de 4,6 milhões de cidadãos.

Lobo reiterou hoje que o mais rápido possível começará a reunir-se com representantes de todos os setores para abrir um grande diálogo, o que foi rejeitado pela Frente Nacional de Resistência contra o golpe de Estado, que exige a restituição de Zelaya ao poder.

“Nós seguimos rejeitando qualquer diálogo com os golpistas”, disse em entrevista coletiva o ex-candidato presidencial Carlos Reyes, que não se apresentou ao pleito, na sede do Sindicato de Trabalhadores da Indústria das Bebidas e Similares (STIBYS).

Lobo propõe um diálogo nacional “aberto, amplo, sem descartar ninguém”.

“De conversas já estamos até a cabeça. Para que tanto diálogo se com essas conversas perdemos cinco meses e não resolvemos absolutamente nada”, disse Reyes, em alusão aos processos de negociação abertos para solucionar a crise.

Por sua vez, o embaixador dos Estados Unidos em Honduras, Hugo Llorens, disse que seu país parabeniza Lobo pelo triunfo obtido nas eleições presidenciais e detalhou que trabalhará muito de perto com o líder político hondurenho.

“É muito importante que venham bons sinais de Honduras em direção ao mundo e do mundo em direção a Honduras”, expressou Llorens, quem considera que Lobo obteve uma “vitória contundente” em processo eleitoral que “foi livre e transparente”.

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