O ministro da Cultura português, pharmacy José Antonio Pinto Ribeiro, disse hoje que, para evitar “rupturas”, será estabelecido um prazo amplo para a entrada em vigor do acordo ortográfico da língua portuguesa, que unificará a ortografia das nações que tem o português como idioma comum.
Em declarações à imprensa, Pinto Ribeiro disse que o cumprimento deste tratado, que gerou polêmica em Portugal e no Brasil, será feito “com tempo e ordem” e que os professores deverão ser formados e adaptar o conteúdo dos manuais escolares.
O Parlamento português organizou hoje um debate sobre o acordo ortográfico, aprovado em 1990 por Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, mas só ratificado por três nações até agora (Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe).
“Nem todos ratificamos no mesmo momento, mas tudo é feito sempre em coordenação entre os países de língua oficial portuguesa”, declarou.
O ministro disse que estas alterações no acordo ortográfico, que unificará o idioma de oito países e mais de 200 milhões de pessoas, se enquadram em uma “política de língua internacional”.
Em seu discurso no debate organizado pelo Parlamento, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Evanildo Bechara se mostrou favorável ao acordo e disse que as “divergências ortográficas só podem gerar confusões”.
O lingüista afirmou que este protocolo não representa um “ato de tirania ou ingerência do Estado”, pois não impede escritores de escolher a ortografia que desejarem.
Bechara destacou que a ABL defende a unidade ortográfica da língua portuguesa, pois apresenta muitos “benefícios e vantagens”.
Na abertura desta conferência, o presidente do Parlamento, Jaime Gama, afirmou que em uma questão como esta é necessário ter a “máxima aceitação possível” e a “maior unanimidade” por parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
“A língua é o que justifica a união desta comunidade”, considerou Gama durante o debate, do qual participaram cerca de 50 pessoas, entre embaixadores, deputados, lingüistas e escritores.
O presidente da Academia das Ciências de Lisboa, Adriano Moreira, pediu aos países da CPLP que “garantam os recursos financeiros e humanos” para assegurar a aplicação do acordo.
Moreira considerou fundamental que a CPLP planeje os “apoios” para iniciar a unificação ortográfica, já que, sem um “plano de ajuda”, os prazos fixados não “garantem sua viabilidade”.
Sobre as divergências que este protocolo gerou em Portugal, ele afirmou que são “naturais” e lembrou que “nenhuma soberania é dona da língua”.
Em Portugal há desacordos sobre este tratado e um setor considera que, com o protocolo, Lisboa cede aos interesses brasileiros.
No entanto, os que apóiam a medida afirmam que sem este protocolo seria impossível a afirmação internacional do português com várias ortografias diferentes.
O Parlamento português deve decidir em breve se ratifica a decisão do Governo de aprovar o segundo protocolo de 1990, que altera o acordo ortográfico da língua e prevê um prazo de transição de seis anos para sua aplicação plena.