Os líderes da oposição reformista estão dispostos a continuar com sua luta e pedem, para isso, um espaço na televisão oficial que lhes permita defender suas denúncias, informou hoje a imprensa local
Segundo o jornal reformista “Etemad”, a demanda foi discutida na sexta-feira passada pelo clérigo reformista Mehdi Karroubi e pelo ex-primeiro-ministro Mir Hussein Moussavi, durante uma reunião na casa do primeiro.
Os dois saíram derrotados pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, nas eleições presidenciais de 12 de junho, cujos resultados foram considerados fraudulentos pela oposição.
“Vamos continuar com nosso movimento social apoiados pelo povo consciente e pelos sábios estudantes”, disse Moussavi, segundo o “Etemad”.
Cerca de 30 pessoas morreram – segundo números oficiais – e cerca de 4 mil foram detidas durante a repressão dos protestos que explodiram após a polêmica reeleição de Ahmadinejad.
A oposição reformista eleva para 72 o número de vítimas fatais nos distúrbios, os piores nos 30 anos de República Islâmica.
Neste sentido, o ex-primeiro-ministro defendeu que seja esclarecida a situação dos presos e se mostrou preocupado com o fato de que responsáveis e membros da corrente reformista continuem nas prisões.
Além disso, expressou sua insatisfação com o fechamento dos jornais afins a esta corrente.
Moussavi se mostrou também preocupado com o que considera uma manipulação dos fatos na imprensa estatal, já que, segundo ele, “a televisão está há quatro meses lançando acusações contra o povo, contra a reforma, contra Karroubi e contra minha pessoa”.
“Enquanto isso, nós não temos sequer três minutos para nos defender neste meio que é administrado com o dinheiro de todo o povo”, afirmou.