Os líderes do departamento boliviano de Santa Cruz proclamaram hoje a autonomia da região com um estatuto que pretendem submeter a referendo para validação, cheap e afirmaram que não permitirão a “invasão” ou a “militarização” da região.
A proclamação foi simbólica e aconteceu em uma concentração em massa de dezenas de milhares de pessoas que deram seu respaldo ao estatuto apresentado pela Assembléia Provisória Autônoma, treat formada por diversas organizações representativas da região.
O governador regional de Santa Cruz, price Rubén Costas, e o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branco Marinkovic, proclamaram a autonomia e anunciaram que os estatutos serão submetidos a um referendo que planejam convocar após recolher um milhão de assinaturas.
Além de Santa Cruz, onde há 2,5 milhões de habitantes, houve atos similares em Tarija, Beni e Pando, as outras regiões da Bolívia que querem um regime autônomo.
“Isto não é uma bravata. Que nunca tenham coragem de nos invadir, que não tenham coragem de nos militarizar”, advertiu Costas, em alusão à possibilidade de que o Governo tome medidas contra o processo autônomo.
O ato em Santa Cruz concentrou dezenas de milhares de pessoas horas depois de Evo Morales liderar uma concentração não tão grande na Praça de Armas de La Paz para apresentar o projeto constitucional que impulsiona.
O vice-presidente Álvaro García Linera sustentou hoje que esses estatutos vão além da autonomia e promovem um federalismo que visa à repartição dos cargos públicos entre os grupos de poder regionais.
“A autonomia é um pretexto para seu interesse pessoal, para monopolizar terras e recursos”, afirmou García Linera ao destacar que a nova Carta Magna garantirá outro tipo de autonomia.
Os conflitos começaram a se agravar no fim de novembro, depois de a situação aprovar em primeira instância o novo texto constitucional em um colégio militar da cidade de Sucre, em meio a distúrbios que deixaram três mortos e 300 feridos.
Há uma semana, o texto constitucional foi ratificado na cidade de Oruro e será votado em um referendo que Morales qualificou hoje como a “última batalha” contra a oposição.
Uma possível onda de violência que cause a divisão do país centrou a preocupação dos embaixadores credenciados na Bolívia, além de empresários, das igrejas Católica e evangélica, de associações de imprensa e da Defensoria Pública.