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Mundo

Líderes anunciam criação de "União pelo Mediterrâneo"

Arquivo Geral

20/12/2007 0h00

O chefe do Executivo espanhol, price José Luis Rodríguez Zapatero, o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, expressaram nesta quinta-feira que apostam na criação da “União pelo Mediterrâneo”, que será concretizada em uma cúpula de chefes de Estado e de Governo que acontecerá no dia 13 de julho em Paris.

O que era para ser uma entrevista coletiva conjunta em Roma acabou se tornando um momento de breve aparição para a imprensa e de uma declaração de intenções. Os três líderes lançaram uma declaração conjunta, “Chamada de Roma”, e participaram de um jantar de trabalho.

A União pelo Mediterrâneo, nome final de um projeto que até agora o Governo francês chamava de “União do Mediterrâneo” e o espanhol de “União Euro-mediterrânea”, será firmada em uma cúpula no dia 13 de julho, véspera da reunião informal do Conselho europeu que a França, ocupando a Presidência rotativa da União Européia (UE) no segundo semestre de 2008, organizará também em Paris.

De acordo com a “Chamada de Roma”, o projeto será baseado no princípio de cooperação, não de integração, iniciará projetos concretos, e não substituirá o Processo de Barcelona lançado em 1995, que continuará sendo central nas relações entre a UE e os países do sul.

Além disso, é preciso que a nova União não interfira nos processos de negociação do bloco europeu com a Croácia e a Turquia. Zapatero explicou que o objetivo é “fazer com que algo importante nasça”, uma nova relação entre as duas margens do Mediterrâneo que propicie a paz e a regeneração do mar partilhado.

“Devemos muito ao Mediterrâneo”, afirmou, após lembrar a importância do espaço para a ordem internacional, a paz, a mudança climática e as migrações.

Ele acredita que para superar as desigualdades e enfrentar o problema migratório é necessário abordar as necessidades ambientais do mar e de seu litoral, com políticas no âmbito da pesquisa, do desenvolvimento e da energia.

“A União pelo Mediterrâneo nasce da União Européia e serve à União Européia”, declarou Zapatero. Ele disse que depois do início do Processo de Barcelona, abre-se “uma nova etapa” em que os países do Mediterrâneo assumirão protagonismo ao lado dos europeus.

Nicolas Sarkozy anunciou a realização da Cúpula de Paris em julho e ratificou a aposta dos três presidentes no Mediterrâneo, onde “o mundo pode encarar a pior das guerras ou a melhor paz”.

“Entendemos que temos de encontrar um acordo para evitar o ódio, a guerra e a destruição. Essa é nossa responsabilidade como homens públicos e homens de Estado”, afirmou o presidente francês.

Para aqueles que duvidam do projeto, Sarkozy disse que os três têm “sonhos à altura” de suas responsabilidades, e reivindicou uma aliança pela paz, o diálogo e o meio ambiente. Advertiu ainda que o maior risco para a região é o conservadorismo.

As declarações de Romano Prodi seguiram a mesma linha das de Zapatero e Sarkozy. Ele lamentou a ausência do presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, no evento.

O presidente italiano lembrou que o encontro aconteceria no Templo de Adriano, “um autêntico homem do Mediterrâneo”, e apostou na reprodução dos valores do imperador para conseguir que o mar seja “um local de paz, diálogo e com iniciativas que tenham um valor pragmático”.

Neste contexto, defendeu a realização de projetos concretos em áreas como energia, meio ambiente, cultura e gestão dos fluxos migratórios. O objetivo é levar a “Chamada de Roma” à CE e aos demais países-membros, explicou Prodi.

Para o chefe de Estado italiano, o projeto da “União pelo Mediterrâneo” foi estudado muitas vezes, “mas nunca foi ativado porque ninguém o tinha impulsionado”.

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