O líder supremo dos talibãs, o mulá Omar, chamou hoje o Ocidente a não se “deixar enganar” pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua defesa da guerra no Afeganistão, que considerou “ilegal” e “imposta”.
Em comunicado publicado no site da insurgência, o mulá Omar tachou de “esforços demagógicos” as tentativas dos líderes estrangeiros de “justificar uma ilegal e longa guerra imposta”.
“O Emirado Islâmico do Afeganistão – nome do antigo Governo talibã – pede ao povo do Ocidente que não se deixe enganar pelas afirmações de Obama, que diz que a guerra no Afeganistão é uma guerra de necessidade”, afirmou o mulá Omar.
“Essa guerra começou por motivos clandestinos e sem razões com fundamento”, acrescentou, em mensagem de felicitação aos muçulmanos pelo “Eid ul-Fitr”, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã.
A mensagem do líder dos talibãs, em paradeiro desconhecido desde a intervenção americana no Afeganistão, em outubro de 2001, coincide com os meses mais sangrentos para as tropas estrangeiras e com a incerteza sobre a apuração das eleições nacionais, cujos resultados preliminares dão a vitória ao presidente Hamid Karzai.
Atualmente no Afeganistão há cerca de 100 mil tropas estrangeiras, cerca 40 mil sob comando direto de Washington e o resto enquadradas na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), embora mais de um terço sejam americanas.