A rede privada “Geo TV” informou que Mehsud emitiu nesta quarta-feira a ordem de cessar-fogo e advertiu que os que desobedecerem serão castigados publicamente.
O regime do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, acusou Mehsud pela morte da opositora Benazir Bhutto em um atentado em dezembro, mas o Partido Popular do Paquistão (PPP), que agora lidera o Governo, sempre negou essa versão.
O anúncio do movimento talibã no Waziristão é um primeiro resultado do diálogo empreendido pelo novo Executivo do Paquistão com os chefes da zona tribal fronteiriça com o Afeganistão.
A estratégia de negociação foi criticada pela Casa Branca, que ontem voltou a ameaçar o Paquistão a “continuar a luta contra os terroristas e não interromper as operações militares ou de segurança que estão em andamento, para evitar que os terroristas tenham refúgio seguro”.
A imprensa publicou esta semana os termos da minuta de acordo de paz que o Governo negociou com a importante tribo Mehsud, e que espera repetir em outras zonas, como Bajaur e Mohmand.
O acordo entre delegados do Governo paquistanês e “notáveis” tribais, ainda a ser assinado, prevê a retirada do Exército do Waziristão do Sul, onde só ficarão mobilizados os guardas fronteiriços paquistaneses.
Em troca, os Mehsud se comprometem a não atacar as forças de segurança paquistaneses e expulsar os “militantes estrangeiros” de seu território em um prazo de um a dois meses, e a negar-lhes refúgio no futuro.
O acordo para o Waziristão do Sul prevê também uma troca de prisioneiros. Segundo o porta-voz de Mehsud, seus homens ainda têm como reféns cerca de cem soldados, paramilitares e funcionários do Governo.
O porta-voz, citado hoje pelo jornal “Dawn”, também disse que o Exército começou a sair da zona onde, segundo outras fontes do diário, sua presença já é “muito pouca”.
No entanto, o porta-voz militar Athar Abbas negou que o Exército tenha recebido uma ordem de retirada.