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Líder opositor iraniano está disposto a depor em julgamento público

Arquivo Geral

03/01/2011 14h58

O líder opositor iraniano Mehdi Karrubi está disposto a enfrentar o tribunal para responder pelos distúrbios ocorridos durante as eleições de junho de 2009, cujo resultado qualificou de fraudulento.

Assim anunciou nesta segunda-feira o próprio Karrubi em carta divulgada por sites como “tagheer.org” e “kaleme.org”, ao outro candidato opositor derrotado, Mir Hussein Musavi, que também denunciou a suposta fraude.

Karrubi, que foi duas vezes presidente do Parlamento iraniano e um dos promotores da Revolução Islâmica que em 1979 derrubou a monarquia Pahlevi, precisou, no entanto, que o julgamento deve ser público.

“Eu, anuncio que eu não sou uma árvore que trema com estes ventos. Tenho provas para defender minha oposição, mas o processo deve ser público para que o povo, que é verdadeiro dono do país, escute às duas partes e possa julgar quem é o responsável do ocorrido”, acrescentou.

Suas palavras foram divulgadas três dias depois que o procurador-geral do Estado, Abbas Jaafari Dolatabadi, garantisse que o processamento dos líderes da oposição era uma questão de tempo.

“Já dissemos isso muitas vezes. Os líderes cometeram crimes e as denúncias contra eles são muitas e estão sendo investigadas”, expressou o responsável perante um grupo de trabalhadores da universidade.

Dolatabadi especificou que entre os supostos delitos destacam o da conspiração para derrubar o regime islâmico e o de colaboração com potências estrangeiras.

As denúncias contra Musavi, Karrubi e outros voltaram a ganhar destaque durante a última semana em diversos programas da televisão estatal.

Logo após divulgarem os resultados eleitorais de 2009, tanto Karrubi como Musavi denunciaram uma fraude maciça em favor do presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

A denúncia foi respaldada por centenas de milhares de iranianos que foram às ruas para protestar, em uma mobilização que durou várias semanas e que foi violentamente reprimida pelas Forças de Segurança, apoiadas por grupos de voluntários islâmicos Basij.

No total, 30 pessoas morreram durante as manifestações e milhares foram detidas, entre elas artistas, jornalistas e intelectuais foram detidos.

Desde então, a cúpula do regime está dividida e o país imerso em uma das piores crises políticas e sociais desde a revolução.

Tanto Musavi como Karrubi mantêm suas reivindicações através de páginas na internet e denunciam que de fato vivem numa “grande prisão”, já que o regime impede sua atividade e movimentos.

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