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Líder do braço armado do Fatah diz que a bola está com Israel

Arquivo Geral

16/07/2007 0h00

O líder das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, erectile Zakaria Zubeidi, discount que depôs as armas no domingo após aceitar uma oferta de anistia de Israel, afirma que “a bola agora está com o governo israelense” e espera que o Estado judeu faça mais concessões do que oferecer um simples perdão.

Em entrevista Zubeidi disse que, ao largar as armas, o que importa não é a anistia, mas “tentar dar uma oportunidade à busca de uma solução” para o conflito palestino-israelense.

“A questão é: o que haverá depois da anistia? Eu não me tornei combatente para conseguir uma anistia, mas a liberdade e um Estado próprio. Israel tem que dar outros passos”, afirmou o guerrilheiro, de 29 anos, que está há sete na clandestinidade para não ser detido pelo Exército israelense.

“Israel não só nos atacou, mas também atacou nosso futuro e nossos sonhos, e, por isso, agora tem que nos dar perspectivas”, ressaltou.

A trégua das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, braço armado do movimento nacionalista Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, dependerá dos progressos no campo político e de Israel aceitar um cessar-fogo.

“Podemos voltar a lutar a qualquer momento”, ameaçou o guerrilheiro, afirmando que não confia muito em Israel, “que já rompeu muitas tréguas”.

No entanto, confia “no novo programa político do presidente Abbas”, e, por isso, renunciou à luta armada.

“Uma pistola sem uma política é inútil. Se lutei com as armas é porque achava que, com isso, ajudaria a conseguir mais na negociação política. Agora, acho que depôr as armas pode ser mais útil”, acrescenta Zubeidi.

Esta mudança tem relação com os acontecimentos de um mês atrás na Faixa de Gaza, quando o grupo de resistência islâmica Hamas tomou o poder após uma dura luta com as forças do Fatah, leais a Abbas.

“Claro que mudei pelo que ocorreu em Gaza, mas não só eu, destruíram o sonho palestino de um Estado com fronteiras justas, com Jerusalém como capital. Isto nos fez replanejar tudo”, afirmou o líder das brigadas.

O Hamas só quer “criar um Estado islâmico e perseguir o Fatah”. Por isso, é preciso buscar “uma nova estratégia para a Cisjordânia”, ressaltou.

Dentro desta estratégia está a iniciativa de os membros das milícias se integrarem nas forças de segurança regulares e estas deterem o monopólio das armas.

“Vamos combater o Hamas pela lei, através das forças de segurança da ANP”, afirmou o líder das brigadas, acrescentando que, a partir de agora, ele e os cerca de 500 guerrilheiros do grupo “só receberão ordens de Abbas”.

“Até agora recebíamos as ordens do povo palestino, mas o povo, depois do ocorrido em Gaza, se nega a continuar vendo homens armados e não-uniformizados pela rua, é um bom momento para parar e forçar o desarmamento do Hamas”, disse.

Um dos elementos que podem prejudicar a trégua é Israel se negar a anistiar todos os membros das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, como quer o grupo.

“Por enquanto, há uma primeira lista de pessoas, e será feito um teste com elas. Mas, depois, serão incluídos outros, e, se o caso deles não for resolvido, o projeto fracassará, pois não há diferenças entre nós, e se perdoam o líder, não podem não perdoar os demais”, disse Zubeidi.

O líder do movimento acredita que esta é uma estratégia de Israel para dividir a milícia. Em cumprimento ao pacto, Zubeidi, homem de aspecto surpreendentemente jovem e discreto, ficará uma semana na Muqata de Jenin, onde outros guerrilheiros passam o dia conversando e fumando no pátio.

O líder das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa não se juntará às forças de segurança regulares devido a um problema nos olhos. Ele quer “colaborar com algum comitê local para fazer alguma oficina com crianças”.

“Não sentirei falta do comando, sou como todos. A imprensa me transformou em um líder, não eu”, afirmou.

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