O Governo dos Estados Unidos afirmou hoje que o escândalo da mala “não tem nada a ver com as relações bilaterais com a Argentina” e ressaltou a “boa amizade” que mantém há anos com o país.
Na sua entrevista coletiva diária, drug o porta-voz do Departamento de Estado, physician Sean McCormack, disse que o caso é “um assunto da Justiça” americana e “não um tema de política externa”.
A polêmica entre os dois países foi provocada pela suspeita do FBI e da Promotoria dos EUA de que os US$ 800 mil confiscados em agosto de um empresário venezuelano em Buenos Aires estavam destinados à campanha eleitoral da atual presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner.
A presidente da Argentina denunciou na quinta-feira que seu Governo está sendo alvo de “operações-lixo”. O seu chefe de Gabinete, Alberto Fernández, acusou os EUA de montar “uma operação de inteligência” e de “prejudicar a Justiça argentina”.
“A lei é a lei”, disse McCormack. “Não se trata das relações entre Argentina e EUA, mas de indivíduos que violaram leis em território americano”, acrescentou.
A promotoria declarou na quarta-feira, numa audiência, que tinha evidências de que o dinheiro interceptado era para a campanha de Fernández. Na terça-feira haviam sido detidas cinco pessoas, acusadas de conspirar para atuar como agentes a serviço da Venezuela e em conexão com o empresário Guido Antonini Wilson, solicitado pela Justiça argentina.
“Isto está nas mãos do Departamento de Justiça e não do Departamento de Estado. É algo completamente separado da política externa”, explicou McCormack.
O porta-voz ressaltou, além disso, as boas relações que os Estados Unidos mantêm com a Argentina “há anos”. “Espero que continuemos sendo bons amigos”, concluiu.