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Líbia tenta transição política com conflito ainda presente

Arquivo Geral

14/09/2011 18h19

O delicado processo político na Líbia apresenta sinais de desaceleração à espera da nomeação do novo governo, enquanto os últimos redutos fiéis ao antigo regime continuam em conflito.

“Queremos uma Líbia nova com caras novas”, afirmou nesta quarta-feira (14) à Agência Efe Mohammed Obeid, membro do escritório político da Aliança 17 de Fevereiro de Misrata, uma das cidades mais castigadas pelas tropas de Muammar Kadafi durante os seis meses de conflito armado.

Obeid se refere a membros do antigo regime que tentam ganhar um espaço na Líbia pós-Kadafi. Ele citou especificamente o diretor do Banco Central líbio, Farhat bin al Gidara, que de acordo com Obeid, seria mantido em algum posto de responsabilidade pelo novo poder executivo.

“Não o aceitamos e comunicamos isso a Mahmoud Jibril”, disse. Jibril é primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição (CNT), máxima autoridade rebelde.

A Aliança, que está presente nas principais cidades do país e nasceu com o objetivo de ocupar o vazio deixado pela queda de Kadafi, também criticou o fato de Jibril ter anunciado que o próximo governo contará com representantes de todas as regiões do país.

“A proposta de Jibril cria um antecedente perigoso”, justificou Obeid. Para ele, o Governo deve estar baseado na capacidade dos seus membros, e não em critérios de procedência regional.

Ele ressaltou que sua aliança, que se uniu a outros grupos civis e tenta se organizar em nível nacional, se mostra contra as opiniões regionais ou tribais.

Apesar das críticas, Obeid afirma que seu grupo apoia o CNT e seu presidente, Mustafa Abdel Jalil, que ocupou a pasta de Justiça durante o regime de Kadafi. Para Obeid, Jalil é um homem com espírito nacional.

Obeid assume que sua associação nasceu com um caráter civil, mas começa a adquirir um viés político, assim como outros grupos do país que tentam influenciar as grandes decisões.

“Apesar da nossa postura política, não pretendemos nos converter em um partido”, disse Obeid. Ele afirma que outras organizações da mesma natureza são na realidade embriões de formações políticas futuras, que estavam ausentes do país durante quatro décadas.

Obeid também destacou a importância do processo que o CNT tenta gerir, com a formação de um novo poder executivo e a realização de eleições dentro de um ano e meio, apesar dos desafios e das dificuldades.

Além disso, ele insistiu em minimizar a existência de diferenças entre rebeldes e políticos, ou rivalidades entre clãs e cidades, questões que aparecem várias vezes sobre o tabuleiro onde o futuro da Líbia está sendo desenhado.

Para apoiar o processo de transição do país, chegou esta quarta-feira à Trípoli o subsecretário dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Jeffrey Feltman, que se reuniu com Abdel Jalil, representantes do CNT e da sociedade civil.

Feltman é a autoridade americana de maior categoria a visitar a Líbia desde a tomada de Trípoli pelas forças anti-Kadafi, em 23 de agosto.

Em entrevista coletiva realizada em um hotel da capital, ele ressaltou a importância de uma transição democrática, do respeito aos direitos humanos e da estabilização do país.

Entretanto, Feltman ressaltou que esses avanços eram apenas o início. Obeid concorda, e acredita que com o fim da guerra, “começa a batalha para a reconstrução”.

Uma batalha comentada por todos, embora cidades como Sirte, Bani Walid e Sebha continuem resistentes à entrada dos rebeldes.

Abdul Busid, membro da brigada Garian, disse à Efe que pelo terceiro dia consecutivo as famílias continuam abandonando a cidade de Bani Walid, 150 quilômetros ao sudeste de Trípoli, o que favorece a ação dos insurgentes.

Nas três cidades, as negociações lançadas pelas autoridades para alcançar um acordo estão entremeadas por enfrentamentos esporádicos entre rebeldes e forças pró-Kadafi. Ninguém sabe quando haverá uma trégua para o início de um genuíno processo político.

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