Três ministros trabalhistas israelenses anunciaram hoje que apelarão da aprovação por um painel ministerial de uma lei que proíbe os atos em lembrança da “Nakba” (catástrofe), treat data que marca o dia em que foi criado o Estado de Israel.
“A lei aumentará o isolacionismo e a alienação na sociedade e reforçará a minoria extremista que há entre os árabes israelenses”, ed disserem em comunicado os ministros de Assuntos Sociais, Isaac Herzog; Agricultura, Shalom Simhon; e Minorias, Avishay Braverman.
Ontem, o Comitê Ministerial de Assuntos Legislativos aprovou uma proposta preliminar para punir até com três anos de prisão a realização em Israel de eventos que lembrem o estabelecimento do país como uma tragédia.
Assim fazem, no entanto, a cada 15 de maio milhares de árabes com cidadania israelense, ou seja, nativos palestinos que ficaram no país após sua criação em 1948 e que, com seus descendentes, superam hoje a marca de um milhão.
Nakba é como os palestinos denominam as consequências que teve para eles a criação de Israel: a perda de lares e terras, e a expulsão ou fuga de entre 700 e 800 mil pessoas, hoje milhões de refugiados.
Por outro lado, os israelenses celebram a data de forma festiva, geralmente com marchas, shows e reuniões em geral.
O Governo provavelmente discutirá a proposta no domingo, na próxima reunião do gabinete, onde se esperam atritos entre os citados ministros trabalhistas e o ultradireitista Yisrael Beiteinu, que promove a lei.
O líder trabalhista, o ministro da Defesa Ehud Barak, evitou até agora dar sua opinião sobre a iniciativa, que em todo caso tem ainda um longo trecho – o sinal verde do Governo mais três leituras no Parlamento – antes de ser aprovada.
A lei não teria efeito para os habitantes da Cisjordânia e de Gaza, onde não rege a legislação israelense, mas sim para os de Jerusalém Oriental.
Yisrael Beiteinu também anunciou hoje que levará a reunião do gabinete de domingo uma de suas propostas eleitorais principais: a obrigação de que os árabes israelenses jurem fidelidade ao país para conservar a cidadania.
“Prometo ser leal ao Estado de Israel como Estado judeu, sionista e democrático, a seus símbolos e valores, e servir ao Estado, como se requer, no serviço militar ou um serviço alternativo”, reza o texto da proposta.
A iniciativa gerou rejeição entre os partidos árabes e organizações de direitos civis do país, que a consideram racista.