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Latinos emergentes pedirão ao G20 agilidade em reforma do FMI e do BM

Arquivo Geral

23/09/2009 0h00

Os países emergentes, especialmente os latino-americanos, pedirão na cúpula do Grupo dos Vinte (G20, os países desenvolvidos e as principais nações em desenvolvimento) que sejam aceleradas as reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), instituições nas quais esperam ter maior representatividade.

“O que mais nos interessa é a consolidação das reformas do FMI e do BM, que são os instrumentos de controle do sistema financeiro mundial”, disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, em recente entrevista concedida a correspondentes estrangeiros no Rio de Janeiro.

Assim como o Brasil, o México tentará em Pittsburgh (EUA), onde vai acontecer o encontro do G20, “ampliar a participação e a voz dos países em desenvolvimento nos processos de tomada de decisões e no estabelecimento de normas internacionais”.

O principal interesse mexicano, segundo o pedido que o Governo do país fez ao Senado para que o presidente Felipe Calderón seja autorizado a viajar, é “promover o fortalecimento da participação das economias emergentes nas instituições financeiras internacionais”.

A esse respeito, o chanceler brasileiro esclareceu que a democratização do FMI e do BM é uma reivindicação de todas as nações emergentes, especialmente das três que representam a América Latina no G20 (Brasil, Argentina e México) e têm coordenado suas posições a respeito.

Foram em reuniões para aproximar posições que os países emergentes decidiram exigir que o processo de reforma, pelo menos no FMI, seja antecipado de 2013 para 2011.

Num encontro em Londres realizado no começo do mês, os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) também definiram a percentagem de participação que desejam no FMI.

“Atualmente, 60% do poder de voto do FMI é dos países desenvolvidos. Os outros 40% são dos países em desenvolvimento. O que definimos é que os países desenvolvidos devem transferir aos emergentes sete pontos percentuais, para que possamos ter 47%” do poder de voto, explicou recentemente o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega.

Segundo Mantega, desde a criação do FMI, nos anos 1940, muitos países europeus perderam poder de decisão e importância na economia mundial. Essa capacidade, destacou ele, tem de ser transferida aos países em desenvolvimento, para que o organismo seja democratizado.

A posição brasileira é apoiada pela Argentina, cujo ministro da Economia, Amado Boudou, destacou, em Londres, que é importante que os países em desenvolvimento possam ter “voz” no FMI e ver “sua representação crescer” no órgão.

Para viabilizar essa transferência, as economias emergentes aumentarão suas contribuições à entidade.

Em Pittsburgh, o Brasil assinará um acordo a partir do qual transferirá ao FMI US$ 10 bilhões de suas reservas internacionais em troca de bônus emitidos pelo Fundo.

Mantega também disse que o Brasil pretende apresentar uma proposta de regulamentação do sistema financeiro mundial, já que algumas instituições voltaram a realizar operações especulativas como as que causaram a crise que explodiu no ano passado.

“Isso exige uma regulamentação imediatamente. Não podemos relaxar e permitir a situação de antes. O que o mercado financeiro quer é que não imponham regras a ele”, disse o ministro.

O México também defende uma maior capitalização do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e aproveitará o encontro do G20 “para promover a criação de um Fundo Verde”, que apoiaria o combate e a adaptação dos países em desenvolvimento à mudança climática.

Já a Argentina enfatizou a necessidade de os paraísos fiscais serem mais controlados.

O tema já avançou na reunião realizada em Londres no começo do mês, quando ficou decidido que os países considerados paraísos fiscais serão obrigados a fornecer mais informações tributárias. Se a situação não melhorar até março de 2010, o G20 começará a punir aqueles que não cooperarem.

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