Segundo os últimos cálculos, website o opositor KDP recebeu cerca de 35% dos votos, symptoms contra 22% da até agora governante Liga Democrática do Kosovo (LDK), o histórico movimento pacifista do independentismo kosovar.
O analista Ilir Dugolli disse hoje que o cenário mais provável “é que Thaçi tente chegar a um acordo com a comunidade internacional sobre uma data para proclamar a independência, provavelmente em março de 2008”.
“Assim, os kosovares teriam uma perspectiva clara de que o assunto não será mais prolongado, e a comunidade internacional não teria que temer atos unilaterais por parte do Kosovo”, acrescentou.
O próprio Thaçi se declarou na noite de sábado como vencedor das eleições e disse que “a independência do Kosovo é uma tarefa já acabada. Vou me dedicar à economia, estabilidade e desenvolvimento”, ressaltou.
Segundo Dugolli, tudo indica que o ex-líder do Exército de Libertação do Kosovo (ELK) tentará formar uma coalizão com a LDK.
Os principais políticos kosovares insistiram durante a campanha eleitoral em que, independente de qual fosse o resultado das negociações com a Sérvia, declararão em breve a soberania. Ismet Hajrullahu, integrante do KDP, disse hoje à Efe que, se Thaçi demorar muito para tomar essa iniciativa, isso “criaria ilusões na Sérvia de que poderia voltar a controlar (a província) como antes”.
Nesse sentido, advertiu sobre a possibilidade de tensões violentas no Kosovo depois de 10 de dezembro, caso o assunto não seja rapidamente esclarecido. Nessa data, o grupo de contato de mediação, formado por Estados Unidos, União Européia (UE) e Rússia, deve informar à ONU sobre os resultados do atual processo de negociação.
Cerca de 1,5 milhão de kosovares foram convocados às urnas para definir a composição do Parlamento de 120 deputados, além de 30 prefeitos e assembléias municipais. Apesar da importância das eleições, a votação foi marcada pela alta abstenção, e teve uma participação inferior a 45%.
A administração internacional no Kosovo alegou que isso ocorreu em função do forte frio na região, mas analistas locais destacaram a situação sócio-econômica ruim da província, onde quase a metade da população está desempregada.
Os sérvios do Kosovo, 5% da população, se abstiveram quase totalmente, cumprindo assim a ameaça de boicote eleitoral para não dar legitimidade às autoridades independentistas. No norte de Mitrovica, o principal centro urbano sérvio no Kosovo, por exemplo, apenas 50 dos 17 mil habitantes votaram.
As eleições foram realizadas durante a fase final do processo de negociação sobre o futuro status do Kosovo. Pristina defende a independência como a única solução do conflito, mas Belgrado rejeita fortemente essa iniciativa e oferece um máximo de autonomia, citando o modelo de Hong Kong.
A próxima rodada de negociações entre as partes em conflito será realizada na terça-feira, em Bruxelas. Mais de 16 mil soldados internacionais permanecem no Kosovo para garantir a segurança pública na província, onde nos anos de 1998 e 1999 foi registrada uma sangrenta guerra entre a guerrilha albano-kosovar e as forças de segurança da Sérvia.
O conflito terminou em 1999 com os bombardeios dos Estados Unidos e seus aliados, seguidos pela entrada no Kosovo de uma força especial da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a KFOR, com a autorização da ONU.