O Grupo dos Sete Países mais Industrializados e a Rússia (G8) descumpre sua promessa de dobrar a ajuda à África antes de 2010, ampoule o que agrava a situação do continente, hospital muito afetado pela crise alimentícia mundial, advertiu hoje em Londres o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.
Essa é a conclusão do primeiro relatório do Painel de Progresso da África, um grupo de ex-líderes internacionais que supervisiona o cumprimento das promessas feitas pelo G8 à África na cúpula de Gleneagles (Escócia), em 2005.
“O compromisso do G8 para dobrar a assistência à África antes de 2010 provavelmente não será cumprido, apesar dos avanços no alívio da dívida de alguns países”, assinala o documento, intitulado “O desenvolvimento da África: promessas e perspectivas”, divulgado hoje, em Londres.
Segundo o Painel, que tem entre seus membros o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair e o cantor e ativista Bob Geldof, a promessa dos países ricos inclui cerca de US$ 40 bilhões em ajudas, “que são necessários para o G8 cumprir os objetivos fixados em Gleneagles”.
Na apresentação do relatório, Annan, que compareceu junto a Michel Camdessus (ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, FMI), pediu aos líderes do G8 que adotem medidas para cumprir seus compromissos com a África na próxima cúpula do grupo, que será realizada em julho, em Hokkaido (Japão).
O ex-secretário-geral da ONU também pediu aos líderes da União Européia (UE) para que “atuem decisivamente para custear o déficit em ajuda” ao continente africano, durante o Conselho Europeu que acontecerá nos dias 19 e 20 de junho.
De acordo com o documento, o aumento das ajudas dos países mais ricos deve ser acompanhada de “calendários claros e uma maior transparência para melhorar a qualidade da ajuda”.
Na opinião de Annan, é necessário também que o G8 leve em conta a atual crise dos alimentos, que, segundo o relatório, “ameaça destruir anos, se não décadas, de progresso econômico”.
O presidente do Painel admitiu que a África conseguiu “melhoras substanciais” em âmbitos como a saúde e a educação, embora “a atual crise alimentícia ameace reverter muitos dos avanços conseguidos às custas de um duro trabalho”.
“Com cem milhões de pessoas à beira da linha da pobreza, o custo não será medido com o preço da farinha ou do arroz, mas através do crescente número de mortes de crianças em toda a África”, disse Annan.
Para enfrentar esse problema, o Painel encorajou o G8 a adotar medidas que “aumentem a quantidade de alimentos nos mercados internacionais e forneçam maior assistência financeira às agências internacionais, como o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), e os Governos dos países afetados”.
Por último, Kofi Annan enviou uma mensagem ao G8: “As únicas promessas que importam são as que são cumpridas”.