“Peço a todos os grupos armados da oposição, sejam talibãs ou de Hizb-e-Islami, que se registrem, que tomem as cédulas e votem”, afirmou Karzai numa entrevista coletiva televisionada direto do palácio presidencial, em Cabul.
O presidente também se referiu ao papel da comunidade internacional nas eleições presidenciais afegãs, que tem Karzai como grande favorito.
“Várias vezes à comunidade internacional e aos funcionários afegãos que deixem de interferir no processo eleitoral do Afeganistão”, afirmou Karzai.
O chefe de Estado disse ainda que “todos os candidatos têm o direito de se reunir com diplomatas estrangeiros”, mas mostrou-se preocupado com o fato de eles estarem debatendo com estrangeiros “seus planos de futuro”.
Com estas palavras, Karzai fez uma velada alusão às reuniões frequentes entre diplomatas e alguns candidatos.
“Eles não devem falar de mudanças na estrutura do Governo do Afeganistão”, declarou Karzai, que revelou ter recebido informações de que alguns países e vários candidatos estão discutindo “a descentralização do Afeganistão”.
“Eles falam de mudar a Constituição e de transformar o Afeganistão num Estado federal”, declarou Karzai. “Minha nação e eu nos posicionamos firmemente contra e nos opomos a isso”, acrescentou.
Pouco depois da entrevista de Karzai, os talibãs rejeitaram a oferta do presidente e se referiram às eleições de agosto como uma “conspiração” americana.
“Achamos que as eleições são uma conspiração dos EUA para enganar os afegãos”, disse um porta-voz talibã citado pela agência “AIP”.
“Os resultados das votações já foram decididos em Washington. Será colocado um homem que possa proteger perfeitamente os interesses dos EUA”, disse o representante dos rebeldes.
O porta-voz reiterou que a insurgência usará “toda a força para frustrar” o pleito e pedirá aos afegãos que não participem da votação.
A “raiz que causa todos os problemas e a destruição é a interferência das forças estrangeiras no Afeganistão”, acrescentou.