O clérigo opositor iraniano Mehdi Karroubi criticou hoje duramente o regime iraniano, ao qual acusou de assassinar várias pessoas durante a festa sagrada da Ashura, realizada no domingo em meio a enfrentamentos entre as forças de segurança e grupos de opositores, nos quais oito pessoas morreram.
Em comunicado divulgado pelo site reformista “Jahannews”, o ex-candidato à Presidência perguntou “o que aconteceu com um sistema religioso para matar pessoas durante o dia santo da Ashura”.
“Atacaram com uma selvageria inexplicável as pessoas, as feriram, detiveram e inclusive mataram várias”, afirmou Karroubi, um dos três candidatos derrotados nas presidenciais de junho, origem da atual crise política e social no Irã, a pior nos 30 anos da Revolução Islâmica.
“Após as eleições de 12 de junho, um grupo, desobedecendo a Constituição iraniana e as ideias do falecido imame Khomeini (fundador da República islâmica), organizaram estes amargos eventos”, denunciou.
O Irã foi cenário no domingo dos protestos mais violentos ocorridos desde que, há seis meses, centenas de milhares de pessoas foram às ruas protestar contra a polêmica reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera “fraudulenta”.
No domingo, milhares de pessoas desafiaram de novo as advertências e retornaram ao centro de Teerã, em um dia sangrento no qual, segundo números oficiais, pelo menos oito pessoas morreram.