O patriarca do clã Ampatuan e outros 23 membros e aliados da família envolvida no assassinato de 57 pessoas no dia 23 de novembro, no sul das Filipinas, foram hoje acusados formalmente de rebelião contra o Estado, disseram fontes judiciais.
Além de Andal Ampatuan, cabeça da dinastia, o Ministério da Justiça também acusou Zaldi Ampatuan, seu filho e governador da Região Autônoma Muçulmana de Mindanao. A Justiça garante que há evidências suficientes contra os 24 acusados, detidos no último sábado.
A Polícia, porém, indicou que 161 indivíduos relacionados ao clã Ampatuan participaram diretamente no massacre. Até o momento, 80 pessoas foram detidas, incluindo o patriarca e quatro de seus filhos.
Também hoje, a Comissão Nacional de Direitos Humanos acusou o clã Ampatuan do assassinato de pelo menos outras 200 pessoas durante os cerca de nove anos nos quais comandou a província de Maguindanao. A dinastia controlava a região por meio de cargos ocupados por seus membros e pela força das armas.
A seis meses das eleições, o massacre gerou fortes críticas contra a presidente filipina, Gloria Macapagal Arroyo, acusada de tolerar que o país continue sendo dominado por clãs ou dinastias políticas, que têm 160 das 265 cadeiras no Congresso.
Segundo a organização filipina Karapata, ligada à defesa dos direitos humanos, cerca de mil pessoas foram vítimas de execuções extrajudiciais desde que a presidente assumiu o poder, em 2001.