A Corte Suprema de Justiça da Bolívia emitiu hoje uma ordem de detenção contra o ex-candidato presidencial opositor Manfred Reyes Villa por não ter se apresentado para depor no julgamento pelo caso conhecido como “outubro negro” de 2003.
O promotor do caso, Milton Mendoza, disse à Agência Efe que a decisão também se relaciona ao não comparecimento do ex-governador regional da região de Cochabamba à audiência programada para hoje na cidade de Sucre, sede do Poder Judiciário, onde se realiza o julgamento pela repressão que deixou mais de 60 mortos em 2003.
Reyes Villa viajou para os Estados Unidos em meados de dezembro, poucos dias depois de concorrer à Presidência boliviana nas eleições gerais, alegando “perseguição política” por parte do Governo do presidente da Bolívia, Evo Morales.
O departamento de Cochabamba, agora controlado pela situação, e o Governo boliviano entraram com 19 processos contra Reyes Villa por supostas irregularidades cometidas em sua gestão como governador regional dessa região até agosto de 2008.
A ordem de captura emitida hoje se soma a outras três ordens de apreensão expedidas nos processos iniciados pelo Executivo boliviano contra Reyes Villa.
Mendoza explicou que, no caso do “outubro negro”, não corresponde pedir a extradição de Reyes Villa nem julgá-lo à revelia, pois o político não foi citado como acusado, mas como testemunha por ter sido aliado político do ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-1997 e 2002-2003).
O presidente do Tribunal de Sentença do julgamento, Ángel Irusta, disse à imprensa que a Promotoria deverá se encarregar de fazer valer a ordem de apreensão.
Em outubro de 2003, houve protestos na Bolívia contra um projeto de exportação de gás para os Estados Unidos por portos do Chile.
A repressão a esses protestos pelas forças de segurança deixou mais de 60 mortos. Sánchez de Lozada foi acusado de genocídio, assim como 16 ex-autoridades, entre ministros e membros do então alto comando militar.
O ex-presidente renunciou em 17 de outubro de 2003 e está nos Estados Unidos junto com três de seus ex-ministros, entre eles, o então responsável pela pasta de Defesa, Carlos Sánchez Berzaín.
O também ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989-1993), outro aliado de Sánchez de Lozada, viajou hoje para Sucre para depor no julgamento como testemunha.
“Já é hora de abandonarmos um passado no qual estamos perversamente amarrados e olharmos para frente para, em unidade, construir nosso país”, disse à imprensa local.
O depoimento de Paz Zamora está previsto para a tarde de hoje.