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Mundo

Justiça apresenta acusações contra envolvidos em morte de jornalista russa

Arquivo Geral

17/10/2007 0h00

A Justiça russa apresentou hoje acusações contra nove envolvidos no assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, this entre eles o ex-coronel do Serviço Federal de Segurança (FSB) Pavel Riaguzov.

“Nove pessoas foram acusadas formalmente em relação ao assassinato de Politkovskaya”, no dia 7 de outubro de 2006, assegurou Viacheslav Smirnov, funcionário da Procuradoria Geral, segundo a agência “Interfax”.

Entre os acusados se encontra o checheno Dzhabrail Makhmudov, considerado o principal suspeito de ser o autor material do assassinato, e dois de seus irmãos.

Além disso, um Tribunal de Moscou rejeitou hoje o recurso apresentado pelo advogado de Makhmudov, de 25 anos, e prolongou sua prisão temporária até janeiro do próximo ano.

Makhmudov, detido no dia 16 de agosto, defende sua inocência e assegura que “nem sequer lembra onde se encontrava no dia 7 de outubro”, quando Politkovskaya foi assassinada com vários tiros na porta de sua casa em Moscou, declarou hoje o advogado do checheno.

“Ele mesmo considera o crime como algo abominável. Primeiro, trata-se do assassinato de uma mulher e, segundo, de uma jornalista que, arriscando sua vida, defendia os direitos de seus compatriotas (os chechenos)”, acrescentou.

Já Riaguzov é acusado de implicação no assassinato e de abuso de poder por revelar aos assassinos informações pessoais sobre Politkovskaya, a jornalista mais crítica com a política do Kremlin no Cáucaso.

Aparentemente, Riaguzov fez várias ligações telefônicas antes e após ter acesso à base de dados do FSB (antigo KGB) para obter informações pessoais da jornalista e entregá-los a outro dos suspeitos, Shamil Burayev.

A investigação do assassinato de Politkovskaya foi duramente criticada depois que vários dos suspeitos detidos fossem libertados, e que o advogado dos três irmãos Makhmudov denunciasse os maus tratos recebidos por seus clientes durante os interrogatórios.

A publicação quinzenal “Novaya Gazeta”, onde Politkovskaya trabalhava desde 1999, também denunciou o vazamento permanente dos dados da investigação com evidentes fins de propaganda.

O presidente russo, Vladimir Putin, assegurou durante sua recente visita à Alemanha que já “está claro” quem foram os autores do assassinato de Politkovskaya e acrescentou que a investigação “marcha por bom caminho”.

O assassinato de Politkovskaya foi perpetrado quando a jornalista preparava um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado por seus companheiros cinco dias após sua morte.

Nascida em Nova York, em 1958, no seio de uma família de diplomatas soviéticos de origem ucraniana, a jornalista tinha as cidadanias russa e americana.

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