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Mundo

Justiça alemã retoma julgamento do criminoso nazista John Demjanjuk

Arquivo Geral

21/12/2009 0h00

O julgamento do criminoso nazista John Demjanjuk, pela morte de 27.900 judeus, foi retomado hoje, em Munique, depois de ter sido suspenso no último dia 2, em virtude de uma gripe do acusado.

A Audiência de Munique rejeitou tanto o pedido de suspensão do processo quanto o de libertação do nazista em razão de sua avançada idade.

O juiz Ralf Alt rejeitou as solicitações da defesa por considerá-las infundadas, e confrontou novamente o processado, de 89 anos e que assiste ao julgamento em cadeira de rodas, com os testemunhos de familiares das vítimas do campo de extermínio de Sobibor, onde, segundo a acusação, atuou como guarda voluntário.

Desde a abertura do julgamento, em 30 de novembro, o processado não fez declaração alguma e só se comunicou através de seu intérprete em ucraniano, com seus advogados ou com os médicos que o atendem o tempo todo dentro da sala.

Seu advogado Ullrich Busch pediu a suspensão do processo ou, pelo menos, que o levantamento da ordem de prisão preventiva contra Demjanjuk.

O nazista é acusado de cumplicidade no assassinato de 27.900 judeus no campo de concentração de Sobibor, na Polônia. Ele serviu no lugar como guarda voluntário (“trawniki”) entre março e outubro de 1943.

Nascido na Ucrânia, em 1920, Demjanjuk foi capturado pelas tropas de Hitler em 1942. De soldado soviético, ele virou prisioneiro de guerra e, posteriormente, guarda voluntário em Sobibor e em outros campos.

Nos anos 1950, mudou-se para os EUA como vítima do nazismo e trocou seu nome de batismo de Ivan para John.

Esta é a primeira vez que a Alemanha processa um estrangeiro acusado de participar do aparelho nazista como guarda voluntário.

O campo de Sobibor era exclusivamente dedicado ao extermínio de judeus de toda a Europa. Estima-se que aproximadamente 250 mil pessoas morreram lá, a maioria em câmaras de gás.

O único dos poucos sobreviventes do campo a participar do julgamento como testemunha de acusação é Thomas Blatt, nascido na Polônia e de 82 anos, mas que já disse que não condições de reconhecer o acusado. As outras 22 testemunhas da acusação são familiares de vítimas, e, por isso, também não podem identificar o acusado.

O principal trunfo da acusação é a carteira de Demjanjuk na SS (tropa de choque nazista), segundo a qual ele serviu no campo de Sobibor por seis meses.

Os “trawniki” eram mais temidos que os integrantes da SS por sua extrema crueldade. Segundo a Promotoria alemã, Demjanjuk participou conscientemente do extermínio nazista, já que o campo polonês era usado só para isso.

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