No entanto, o mesmo tribunal o condenou por desobedecer a uma ordem de um superior. Jordan, de 51 anos, foi por um breve período o diretor de interrogatórios em Abu Ghraib. O abuso contra presos nesta prisão se tornou público mundialmente por fotografias divulgadas no início de 2005.
O tribunal militar se reuniu em Fort Meade, em Maryland, no norte de Washington. O tenente-coronel, que tinha se declarado inocente e foi julgado por nove coronéis e um general-de-brigada, enfrentava quatro acusações. Se ele tivesse sido considerado culpado por todas elas, poderia ter recebido sentenças de até oito anos e meio de prisão.
Outros 11 soldados foram condenados pelos crimes cometidos em Abu Ghraib e a sentença mais longa foi dada ao ex-cabo Charles Graner, enviado para a prisão por dez anos, em janeiro de 2005.
Jordan ainda pode receber uma sentença de até cinco anos de prisão por ter desobedecido a ordem de um superior para que não falasse sobre o caso com outras pessoas. Em 2004, ele enviou dois e-mails a um colega comentando a situação em Abu Ghraib.
No entanto, o tenente-coronel foi absolvido de todas as acusações de maus-tratos contra os prisioneiros e da acusação de negligência em seus deveres como oficial a cargo da disciplina, do comportamento e da capacitação de seus soldados.
Jordan não aparece em nenhuma das fotografias nas quais se vê prisioneiros nus, amarrados, presos uns aos outros, humilhados sexualmente e ameaçados com cachorros. Nas fotos, no entanto, aparecem vários soldados americanos.
Apesar de não ter sido fotografado tomando parte nos atos criminosos, a Promotoria sustentou que Jordan encorajou o abuso por ter negligenciado a disciplina e o comportamento dos soldados sob suas ordens.
Na segunda-feira, em sua alegação final, a Defesa procurou desqualificar o major Donald Reese, a testemunha principal da Promotoria, que afirmou que Jordan tinha aprovado a nudez dos presos como parte dos interrogatórios.
Reese comandava a companhia 372 de Polícia Militar no Iraque, cujos soldados eram alguns dos responsáveis pela custódia de prisioneiros em Abu Ghraib.
O promotor tenente-coronel John Tracy afirmou que Jordan estava sendo julgado não pelo que tinha feito durante sua breve gestão como diretor do centro de interrogatórios, mas pelo que não tinha feito.
“Aqui se trata de como foi que ele se afastou do que estava fazendo”, disse Tracy. “Não instruiu suas tropas, não as supervisionou”, acusou o promotor.