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Junta Militar do Egito se reúne com candidatos para tentar contornar crise

Arquivo Geral

26/11/2011 18h51

A Junta Militar do Egito se reuniu neste sábado com dois dos principais candidatos presidenciais, numa tentativa de superar a crise no país, que vive seu oitavo dia consecutivo de protestos na praça Tahrir.

O presidente do Conselho Supremo das Forças Armadas, Hussein Tantawi, apesar de não dar sinais de que pretende deixar o poder, como exigem os manifestantes, ensaiou uma aproximação com os líderes políticos para analisar a situação do país.

Ao lado do vice-presidente do Conselho, Sami Anan, Tantawi recebeu separadamente o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Prêmio Nobel da Paz 2005, Mohamed ElBaradei, e o ex-secretário geral da Liga Árabe Amre Moussa.

Após a reunião, ElBaradei negou em comunicado que tenha feito um acordo com a Junta e disse que a revolução segue sua trajetória. Seu nome foi comentado entre os jovens da praça Tahrir como um dos líderes de um possível governo de salvação nacional, que substituiria os militares.

Nesta sexta, ElBaredei, no entanto, apareceu na praça para observar o andamento dos protestos mas não deu nenhuma declaração sobre o assunto.

A Junta Militar também conversou com Amre Moussa, que apoiou a decisão de Tantawi de manter as eleições legislativas que começam nesta segunda-feira e terminam em março.

Moussa disse que a democracia corre perigo no Egito se o período de transição for prolongado e pediu que o novo governo de Kamal al Ganzuri supervisione as eleições e garanta a segurança da votação.

Ao contrário de ElBaradei, Moussa não figura na suposta lista dos líderes da praça Tahir, que incluiria também o independente Hosam Eisa; o líder do Partido Karama, Hamdin Sababhi; e o islâmico e ex-membro da Irmandade Muçulmana, Abdelmoneim Abul Futuh.

Este último, em entrevista à Efe, atribuiu os últimos protestos à “lentidão da transição democrática” e disse que o início das eleições vai marcar o fim da crise.

Postura semelhante tem a Irmandade Muçulmana, que por meio do seu braço político, o Partido Liberdade e Justiça, pediu que todos os egípcios votem como maneira de “conseguir a soberania do povo e preservar a caminhada em direção à democracia”.

Apesar disso, há manifestantes que não querem ouvir falar em eleições enquanto a Junta seguir no comando, sobretudo após a morte de pelo menos 42 pessoas em enfrentamentos entre forças de segurança e ativistas.

Vários grupos convocaram para este domingo o protesto chamado “A legitimidade revolucionária”, no qual reivindicarão a transferência de poder para uma autoridade civil e condenarão a escolha do nome de Kamal al Ganzuri para primeiro-ministro, a quem consideram um fantoche dos militares.

Neste sábado, um jovem morreu atropelado por um caminhão da polícia numa manifestação contra a nomeação de al Ganzuri. Esse foi o único incidente grave registrado hoje na praça, que recebeu um número menor de pessoas em relação aos dias anteriores.

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