O julgamento de Josef Fritzl foi retomado hoje e, ask em seu segundo dia, espera-se que o júri siga analisando o testemunho de Elisabeth sobre os 24 anos em que foi estuprada sistematicamente e mantida enclausurada por seu próprio pai no porão de casa na Áustria.
Depois que a imprensa teve ontem um breve acesso à sala no momento da leitura das acusações e das alegações de defesa e promotoria, a sessão de hoje em Sankt Pölten começou a portas fechadas, pouco depois das 9h (5h, em Brasília), para proteger a intimidade da vítima.
Os oito membros do júri ouvirão hoje novos fragmentos da declaração de Elisabeth Fritzl, a principal vítima, sobre sua vida no porão, onde foi encarcerada quando tinha 18 anos e deu à luz sete filhos do próprio pai, Josef.
O acusado será interrogado e também se espera que sejam apresentados relatórios sobre o estado mental do acusado e sobre sua possível responsabilidade na morte de um dos bebês.
Nesse caso, a Promotoria acusa Fritzl de assassinato por omissão de ajuda, um delito punido na Áustria com entre 20 anos e prisão perpétua.
Na abertura do julgamento ontem, Fritzl se declarou “inocente” da acusação, assim como da de escravidão, mas admitiu os delitos de incesto e privação de liberdade e se declarou “parcialmente culpado” de estupro.
Um porta-voz da corte de Sankt Pölten explicou ontem que, em função de como avançar o processo e da atitude do acusado, o veredicto deve sair quinta ou sexta-feira.
Provavelmente nesse mesmo dia o júri, junto com os três juízes que dirigem o caso, decidirá a sentença de Fritzl.
A imprensa austríaca destacou hoje a “covardia” do acusado, que entrou na sala do julgamento com a cara tapada com uma pasta azul, onde guardava seus documentos.
Em entrevista à televisão pública austríaca “ORF”, o advogado de defesa Rudolf Mayer explicou que seu cliente “estava muito nervoso e muito envergonhado” com a presença da imprensa, e por isso decidiu esconder o rosto.
Mayer lembrou a dificuldade jurídica de provar que Fritzl foi responsável pela morte do bebê e lembrou que se trata de confrontar o depoimento da vítima com o do acusado.
Apesar de saber que “grande parte dos atos de Fritzl são disformes”, o advogado insistiu que seu objetivo é conseguir um veredicto sem preconceitos. EFE