O ministro da Economia argentino, Amado Boudou, informou em coletiva de imprensa que o juiz ordenou um embargo preventivo de US$ 1,7 bilhão em contas da Argentina, mas admitiu que a medida poderia incidir sobre US$ 15 milhões.
O embargo pesa sobre contas do banco central argentino, envolvido nos últimos dias em um conflito institucional com o Governo Cristina Kirchner pelo uso de reservas monetárias para o pagamento de dívidas.
O embargo foi solicitado pelos fundos Dart e Elliot, dois dos vários investidores institucionais que rejeitaram em 2005 a reestruturação de dívida da Argentina, em moratória desde 2001, quando eclodiu uma severa crise econômica no país sul-americano.
Segundo Boudou, desde o início do conflito com o BC, que se nega a atender a decisão do Governo de habilitar o uso de reservas para o pagamento de dívidas, se registrou uma forte queda de valor dos bônus argentinos, de entre 5,7% e 8,5%, e um aumento de 12% no índice risco-país.
O ministro disse que existe uma “forte pressão contra os títulos argentinos e a troca que se pretende levar adiante” para reestruturar títulos de US$ 20 bilhões que não entraram na troca de 2005, parte dos quais estão nas mãos de fundos especulativos.
“Parece que os fundos abutres tem representantes em Buenos Aires, que parece que pretendem fazer operações de endividamento para a Argentina a taxas altas (…). Parece que há uma conspiração para que a Argentina pague a maior taxa de juros possível”, denunciou Boudou.
O ministro considerou que a situação jurídica se deve em parte às demoras por parte do banco central na criação de um fundo de US$ 6,5 bilhões provenientes de reservas monetárias para saldar dívidas, cuja formação foi ordenada por um decreto por Cristina.