O juiz espanhol Fernando Grande-Marlaska acusou Iraitz Guesalaga, responsável de informática da organização terrorista ETA detido em janeiro na França, de ter dado aulas a membros da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na Venezuela.
Segundo o auto judicial, durante uma viagem realizada ao país entre 11 de setembro e 11 de outubro de 2008, Guesalaga e sua companheira Itxaso Urtiaga, se reuniram com Arturo Cubillas Fontán, suposto membro do ETA suspeito de manter relações com as Farc.
Marlaska relata que nessa viagem à Venezuela, Guesalaga “esteve na região da selva, onde manteve encontros com refugiados da ETA e membros das Farc, para quem deu aulas” de informática.
Apesar dessa viagem, o juiz considera que Itxaso, que foi detida no País Basco em 11 de janeiro, deve ficar em liberdade por não existiram provas contra ela.
Ele destacou que, embora Itxaso tenha se reunido com Fontán na Venezuela, foi para “acompanhar seu companheiro” e ressaltou que ela não entende de informática.
Em relação a Guesalaga, o auto judicial destaca que ele realizou pelo menos duas viagens à Venezuela.
A operação que levou à detenção do casal na terça-feira passada, parte, segundo Marlaska, da documentação confiscada da cúpula da ETA liderada por Francisco Javier López Peña, conhecido como “Thierry”, desarticulada em Bordeaux (França) em 20 de maio de 2008.
Nessa ocasião, foram encontrados documentos que demonstravam que Joseba Agudo Mancisidor, detido em 28 de outubro na localidade francesa de Hendaya, fazia a ligação entre o ETA e militantes foragidos no exterior, “principalmente em países sul-americanos e da África”.
Após essa detenção, as autoridades tiveram acesso a outros documentos nos quais consta o nome de Guesalaga, especialista em informática, que “estaria realizando trabalhos relacionados à sua atividade profissional a favor do grupo”.
Essa documentação revela também que ele esteve em duas ocasiões na Venezuela e que, em uma delas, ele teria dado aulas a Fontán.
Guesalaga está preso na França desde que foi detido em Ciboure (sudoeste do país) na terça-feira passada, apenas 18 horas depois que a organização terrorista declarou um cessar-fogo “permanente e de caráter geral”.
Na mesma operação, sua companheira Itxaso foi detida em Zarautz, na província espanhola de Guipúzcoa.
Considerado um dos melhores especialistas em informática da ETA, Guesalaga é o responsável por desenvolver os programas que a organização utiliza para proteger seus arquivos.