O procurador-geral do Estado e porta-voz do Poder Judiciário iraniano, Gholam Hossein Mohseni Ejei, negou nesta segunda-feira que tenha sido suspensa a pena de morte imposta a Sakineh Mohammadi Ashtiani.
Em declarações à agência de notícias estatal “Irna”, Ejei insistiu que o processo ainda está em curso e não existem novidades.
“Alguns meios de comunicação informaram que a pena de morte por apedrejamento não tinha chegado a um ponto definitivo e que, pelo perdão dos pais, a sentença à forca tinha sido suspensa. Mas os pais insistem que se o castigo seja realizado”, afirmou.
“E o que se diz sobre uma possível redução da pena é também errôneo porque ainda está sendo revisado”, acrescentou.
Durante a manhã desta segunda-feira, a televisão iraniana em inglês “PressTV” e a agência de notícias “Isna” citaram uma carta da presidente da comissão de direitos humanos no Parlamento, Zohre Elahian, à presidente brasileira, Dilma Rousseff, na qual de dava a entender que a condenação à forca tinha sido suspensa.
Na carta, a deputada explicava de maneira confusa que “embora o processo no qual se pede a pena de morte por apedrejamento não chegou ainda a um ponto final, a condenação por enforcamento está suspensa pelo perdão da família do seu marido”.
A redação da frase na língua local não deixava claro se a decisão era oficial e definitiva.
“Foi condenada a 10 anos de prisão porque de acordo com as provas, a mulher iraniana traiu sua família e assassinou seu marido com a ajuda de seu amante. Confessou seus crimes durante o julgamento”, acrescentou Elahian.
Sakineh, de 43 anos, foi condenada em 2006 a morrer apedrejada por adultério e a morrer na forca pela acusação de ter colaborado no assassinato de seu marido com ajuda de seu amante em 2004.
Seu caso voltou às manchetes dos jornais em 2010, depois que um de seus advogados afirmasse que todos os recursos tinham esgotado e que a mulher seria apedrejada até a morte.
Suas palavras levantaram uma onda de protestos e solidariedade no mundo todo, que obrigou o Governo iraniano a recuar e reiterar que a sentença não era firme.
Em setembro, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, já afirmou que o processo estava em curso e que a sentença não era definitiva.
A Procuradoria Geral da cidade de Tabriz, onde Sakineh está presa, reiterou que o expediente ainda “está sob revisão” e que o veredicto seria tornado público após a aprovação do Poder Judiciário em Teerã.
No início de dezembro, a televisão estatal iraniana em inglês “PressTV”, emitiu um documentário protagonizado pela própria Sakineh na qual admitia sua culpa e reconstruía o suposto crime em sua própria casa.
Igualmente compareceu perante a imprensa seu filho, Sajjad Ghaderzadeh, que admitiu que foi um erro entrar em contato com a imprensa e as organizações estrangeiras e assinalou que, embora acredita que sua mãe “é culpada”, pede misericórdia.
“Perdemos meu pai e agora não queremos perder nossa mãe. Queremos que a pena seja comutada”, indicou antes de declarar-se esperançoso já que alguns ex-altos cargos do Judiciário eram contra o apedrejamento.
“A condenação ao apedrejamento segue vigente, mas não será executado. Pelo menos isso é o que esperamos”, concluiu.