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Jovem negro condenado à morte é inocentado 70 anos após execução nos EUA

Revisão do caso reconhece falhas graves no processo e confirma condenação injusta de jovem negro acusado de estupro e assassinato em Dallas

Redação Jornal de Brasília

23/01/2026 12h18

Foto: Divulgação/Biblioteca Pública de Dallas

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UOL/FOLHAPRESS

Um homem foi declarado inocente na última quarta-feira pela Justiça dos EUA, 70 anos após ter sido condenado à morte pelo estupro e assassinato de uma mulher.

A condenação do homem em 1954 e sua execução, em 1956, foram “profundas injustiças”, avaliou o Tribunal de Dallas, no Texas. Tommy Lee Walker tinha 19 anos quando foi condenado pelo estupro e assassinato de Venice Parker, uma mulher branca que foi morta em 1953, nas proximidades do aeroporto Dallas Love Field. A mulher foi agredida enquanto aguardava um ônibus após o expediente em uma loja de brinquedos.

Parker conseguiu pedir ajuda a um motorista e foi levada a um hospital local, onde morreu por conta dos ferimentos. Segundo pesquisas do Innocence Project, a vítima não conseguiu falar antes de morrer porque teve a garganta cortada. Ainda assim, o policial que a entrevistou momentos antes da morte alegou que ela identificou o agressor como um homem negro.

Duas testemunhas disseram que viram Walker na região naquela noite, porém nenhuma delas presenciou o crime. A prisão dele só aconteceu quatro meses depois, feita pelo então chefe do Departamento de Homicídios da Polícia de Dallas, Will Fritz. O Innocence Project aponta Fritz como um membro da Ku Klux Klan, grupo supremacista branco norte-americano.

Desde o início, Walker se declarou inocente e apresentou um álibi. Ele estava no hospital acompanhando o nascimento de seu filho. Esse fato foi confirmado por dez testemunhas, mas mesmo assim, após horas de interrogatório, que incluíram ameaças de cadeira elétrica e a apresentação de provas inexistentes, o homem assinou duas declarações confessando o crime.

A primeira continha imprecisões factuais que tornavam a confissão implausível, segundo o Innocence Project. A segunda foi “manipulada” pela polícia para se adequar aos detalhes do crime. Em nenhum momento, Walker confessou ter abusado de Parker.

Caso foi conduzido pelo então promotor distrital de Dallas, Henry Wade, responsável por 20 condenações injustas de homens negros inocentes. O promotor teria se recusado a entregar provas favoráveis à defesa, apresentado alegações falsas como se fossem fatos e chegou a depor como sua própria testemunha de acusação, declarando que sabia que Walker era culpado.

Condenado à morte, Walker teve todos os recursos negados. O jovem foi executado na cadeira elétrica em 1956 mesmo após a polícia afirmar que uma confissão assinada o livraria da pena capital.

A reviravolta veio décadas depois. Uma revisão do caso feita pela Promotoria do Condado de Dallas, em parceria com o Innocence Project e a Faculdade de Direito da Universidade Northeastern, concluiu que Walker foi condenado injustamente. Na quarta-feira (21), o Conselho de Comissários de Dallas aprovou uma resolução que o inocenta oficialmente do assassinato de Parker.

Único filho de Walker, Edward Smith disse que a decisão traz alívio, mas também dor. “Foi difícil crescer sem um pai. Isso não vai trazê-lo de volta, mas agora o mundo sabe que ele era inocente. E isso traz um pouco de paz.”

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