Um editorial do jornal oficial “Global Times”, considerado porta-voz do regime chinês, acusou nesta sexta-feira a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de estar sabotando a China na sua visita a Mianmar, até agora um país da área de influência de Pequim.
“Hillary deveria ter deixado claro que a China raramente tem por alvo os Estados Unidos. A estratégia de volta à Ásia dos EUA foi especificamente planejada contra a China”, defende o artigo, em referência a palavras da secretária de Estado.
Em seu caminho a Mianmar, Hillary Clinton pediu aos países emergentes que fossem “compradores inteligentes” ao aceitar ajuda estrangeira e que desconfiassem de “doadores mais interessados em extrair recursos naturais do que em aumentar sua capacidade”.
Suas palavras foram interpretadas pela imprensa como uma referência à China, principal país investidor em Mianmar e tradicional apoiador do regime militar, ao qual alguns analistas acusam de protagonizar uma nova forma de colonialismo na Ásia, África e América Latina.
O editorial é a primeira queixa da China à visita de Hillary, já que os porta-vozes governamentais mantiveram discrição sobre o assunto e apenas na quinta-feira pediram o fim das sanções que pesam sobre o regime de Mianmar, em resposta ao pedido da secretária de acelerar as reformas democráticas no país.
O texto afirma que a definição de Washington de ajuda estrangeira “é na realidade armamento e ameaças políticas”, e acrescenta que “os EUA são o país doador que merece desconfiança”.
Segundo o editorial, a China ajuda no desenvolvimento das infraestruturas e do bem-estar dos países nos quais investe, mas reconhece que a ajuda tem “defeitos”, em referência às queixas birmanesas pela baixa qualidade dos produtos que exporta.
Nas últimas semanas, o governo de Mianmar interrompeu as obras de uma represa financiada pela China devido às reclamações dos ecologistas, críticas que os investimentos chineses receberam também em outros países nos quais aplica recursos.
“Hillary deve acreditar que sua diplomacia é invencível”, apontam os editores do jornal governamental, que sustentam que as palavras da secretária de Estado são uma saída desesperada “à crescente incompetência dos EUA para tratar de sua própria crise”.
“Seu planejamento orçamentário indica que seu status de superpotência está a ponto de acabar”, indica a publicação. A China, que conta com a maior reserva de divisas do mundo, é um dos principais compradores da dívida americana e europeia.