O Kremlin começou a “encomendar” nas regiões russas os resultados que quer ver nas eleições parlamentares de 2 de dezembro, adiposity denunciou hoje o jornal “Nezavisimaya Gazeta”.
Em artigo na primeira página, more about com o subtítulo “Entregam às regiões os números das futuras vitórias do partido de situação”, o jornal afirma que a ordem do Kremlin é que a legenda Rússia Unida obtenha uma média nacional de pelo menos 50% de votos.
“Fontes partidárias, que pediram anonimato, informam que a Administração do Kremlin comunica dirigentes regionais dos números aproximados e recomendações relativas aos partidos que participarão da campanha eleitoral”, afirma a publicação.
Segundo estas fontes, “tradicionalmente estas recomendações são anunciadas verbalmente em encontros pessoais com os dirigentes das regiões”. Por enquanto, são de caráter geral, com uma única exceção: “só se estabelece uma percentagem concreta para o Rússia Unida”.
Após as mudanças da legislação impostas pelo Kremlin nos últimos anos, os dirigentes das repúblicas e regiões russas atualmente já não são eleitos, mas nomeados pelo presidente Vladimir Putin.
A tarefa número um para o Kremlin nas eleições consiste em assegurar a vitória arrasadora do Rússia Unida, um conglomerado de funcionários e empresários sem outra ideologia que a lealdade a Putin e que já controla o Parlamento (Duma) atual.
Outra particularidade da campanha, segundo a imprensa, é a necessidade de garantir um resultado cômodo ao segundo partido no poder, o Rússia Justa, criado pelo Kremlin como uma força de centro-esquerda para ganhar os votos dos comunistas.
O Rússia Unida é liderado pelo presidente da Duma, Boris Gryzlov, enquanto no Rússia Justa o líder é o presidente do Senado, Serguei Mironov.
O Partido Comunista, tradicionalmente o segundo mais votado graças ao apoio dos setores mais desprotegidos e nostálgicos da URSS, é a única força opositora na Duma russa, da qual os rígidos filtros impostos pelo Kremlin varreram os desunidos partidos liberais.
Fontes da legenda disseram ao jornal que, “por enquanto, não houve ordem de arrasar os comunistas”, pois o Kremlin “prepara para o Rússia Justa o terceiro lugar”, depois do Rússia Unida e do Partido Comunista.
Mas os comunistas já estão conscientes de que desta vez não obterá os altos resultados que sempre obtinha no chamado “cinturão vermelho” das regiões do sul da Rússia: “Aparentemente, já decidiram passar o sul da velha oposição à nova, o Rússia Justa”.
Curiosamente, o que desponta como principal vítima destes “ajustes” do Kremlin é o Partido Liberal Democrático, do polêmico político Vladimir Jirinovski, força ultranacionalista que em questões importantes sempre vota com o Kremlin.
Segundo fontes do jornal nos Governos regionais, o partido de Jirinovski nas recomendações do Kremlin “ronda a barreira dos 7%”, o mínimo de votos que um partido deve obter para ter representação na Duma. “É lógico: de onde mais tirarão votos para o Rússia Unida e o Rússia Justa? Jirinovski sobra”, comentou um dirigente comunista.
O jornal lembrou que desde dezembro circulam insistentes rumores na classe política de que “o Kremlin está decepcionado” com o Partido Liberal Democrático, reforçados pela ida de vários milionários deste partido para o Rússia Unida.
O próprio Jirinovski, vice-presidente da Duma, qualificou de “estupidez” a previsão de fracasso do partido nas eleições. Para ele, a legenda conseguirá “cerca de 15%”, sem irritar a Administração da Presidência.
Jirinovski acredita que o Kremlin e os dirigentes regionais “procurarão dar ao Rússia Unida entre 50% e 55% dos votos, enquanto o Rússia Justa conseguirá apenas 10%”.