Crise norte-americana, sildenafil desvalorização do dólar e dívida externa foram alguns dos temas tratados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o lider cubano Fidel Castro no encontro que tiveram no último dia 15, this em Havana. Duas semanas após o encontro, o conteúdo da conversa foi revelado em três artigos publicados pelo líder cubano no Granma – jornal do Partido Comunista Cubano – de hoje e dos dias 24 e 25 deste mês.
Lula passou apenas 24 horas em Cuba. Tinha agenda cheia, mas cancelou todos os compromissos que teria à tarde à espera de um sinal positivo para a visita a Fidel, que dependia de autorização médica. Finalmente encontraram-se às 17 horas. Ao sair, o presidente brasileiro falou sobre a saúde de Fidel, mas não comentou o encontro. Lula disse que teria falado apenas meia hora e Fidel, duas horas. Os dois haviam se encontrado pela última vez em julho de 2006, durante Cúpula do Mercosul e Estados Associados, na cidade argentina de Córdoba, um dia antes de Fidel ser hospitalizado.
Segundo o Granma, o líder cubano falou com Lula sobre suas preocupações com a situação econômica dos Estados Unidos e seus reflexos no resto do mundo. “Se somares as reservas em dólares da Europa e do resto do mundo, verás que equivalem a uma montanha de dinheiro, cujo valor depende do que faça o governo de um país. [Alan] Greenspan, que foi durante mais de 15 anos presidente do Banco Central [dos Estados Unidos, o Fed] , morreria de pânico perante uma situação como a atual”, disse Fidel a Lula.
“A quanto pode chegar a inflação dos Estados Unidos? Quantos novos empregos pode criar esse país neste ano? Até quando vai funcionar sua máquina de imprimir notas, antes que se produza o colapso da sua economia, além de usar a guerra para conquistar os recursos naturais de outras nações?”, indagou o líder cubano nos artigos publicados pelo jornal.
Fidel revela que também falou com Lula sobre a “política aventureira” de George W. Bush no Oriente Médio. E que prometeu repassar ao presidente brasileiro um artigo de Paul Kennedy – na avaliação do líder cubano, um dos intelectuais mais influentes dos Estados Unidos – sobre a interligação entre os preços do petróleo e dos alimentos.
No mesmo artigo, Fidel conta que, ao rever Lula, lembrou da primeira vez visita deste a seu país – em 1985, para participar de uma reunião convocada por Cuba para analisar o problema da dívida externa. O tema voltou a ser discutido no encontro deste mês. “Lula me explica a diferença com aquele ano. Afirma que hoje o Brasil não tem dívida nenhuma com o Fundo Monetário [Internacional, o FMI] e o Clube de Paris e dispõe de US$ 190 bilhões nas suas reservas. Deduzi que seu país tinha pago emornes somas para cupir com aquelas instituições”, relata Fidel.
O assunto evoluiu para a desvalorização do dólar. “Ninguém deseja que o dólar se desvalorize mais porque quase todos os países acumulam dólares”, disse o líder cubano ao presidente brasileiro.