Os jamaicanos votaram hoje de maneira tranqüila nas eleições gerais mais apertadas da história do país, salve nas quais o Partido Nacional Popular (PNP) tenta se manter no poder pela quinta vez consecutiva.
Os colégios eleitorais foram fechados às 19h (de Brasília), more about e logo em seguida começou a apuração dos votos, prescription sob a supervisão de observadores internacionais liderados pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Comunidade dos Países do Caribe (Caricom).
A alta participação eleitoral -era esperada uma abstenção de cerca de 30%- fez com que os protestos de alguns cidadãos se centrassem na lentidão e nas longas filas nas portas dos colégios eleitorais.
Um total de 1,3 milhão de jamaicanos (dos 2,6 milhões de habitantes do país), foram convocados às urnas para escolher os 60 deputados que deverão compor a nova legislatura do país.
Em declarações à emissora de rádio “Gleaner-Power 106”, o diretor do processo eleitoral, Danville Walker, expressou hoje sua satisfação com o bom andamento da jornada eleitoral, em que não foram registrados incidentes.
As autoridades do país estavam temerosas, depois que, durante o fim de semana, foram registrados 17 assassinatos relacionados com a campanha eleitoral.
As medidas de segurança foram muito estritas em todo o país, afetado ainda pelo temor quanto a uma possível passagem do furacão “Félix”, que causou apenas algumas tempestades isoladas.
Após 18 meses na chefia de Governo, a primeira-ministra Portia Simpson Miller tenta se transformar hoje na primeira mulher a vencer as eleições gerais jamaicanas.
Simpson Miller chegou ao cargo de primeira-ministra após a retirada, em março de 2006, de P.J. Patterson, líder histórico do Partido Nacional Popular (PNP), de tendência social-democrata, que governa desde 1989.
Após manter uma cômoda vantagem nas enquetes de opinião durante boa parte do processo eleitoral frente ao chefe da oposição Bruce Golding, líder do Partido Trabalhista da Jamaica (JLP), de tendência conservadora, Simpson Miller perdeu terreno nas últimas semanas.
A imagem da primeira-ministra foi afetada pelos ataques sofridos no debate televisivo com Golding, em 9 de agosto, e principalmente pelas críticas à lenta resposta governamental ao desastre causado pelo furacão “Dean”, que atingiu a ilha em 19 de agosto, deixando quatro mortos e causando US$ 1,2 bilhão em perdas econômicas.
Além disso, a violência dos últimos dias trouxe de volta à mídia o fato de a Jamaica ser um dos países com maior índice de criminalidade do mundo.
No total, 17 pessoas morreram desde a última sexta-feira, em incidentes que tiveram “motivação política”, segundo a Polícia.
A persistência dos altos níveis de violência é uma das principais críticas feitas ao Governo de Simpson Miller, a primeira mulher a ocupar a chefia de Governo na Jamaica.
Durante 2006, 1.500 pessoas foram assassinadas no país, ao tempo que em 2007, já foram contabilizadas 873 mortes violentas.
O PNP também foi alvo de críticas pelas acusações de corrupção e má gestão, e pelos altos índices de inflação (6%) e desemprego (9,7%).
Com forte presença policial nos arredores dos centros de votação, a jornada eleitoral transcorreu sem problemas, sendo atrapalhada somente pelas tempestades isoladas causadas pela presença distante do furacão “Félix”, que segue se afastando da Jamaica.
A diferença entre o PNP e o JLP nas pesquisas de intenção de voto é tão estreita que as eleições de hoje estão sendo consideradas as mais apertadas da história do país desde sua independência do Reino Unido, em 1962.
O PNP ganhou 36 cadeiras nas eleições de 2002, ao tempo que o JLP ficou com 24.
As últimas enquetes dão uma leve vantagem a Golding, mas é cogitado até mesmo um empate no número de cadeiras obtidas por ambos os partidos.
Neste caso inédito na história da Jamaica, o governador geral Kenneth O. Hall, deve oferecer uma solução para evitar a instabilidade política.
Os observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos e do Caricom, presididos pelo secretário-geral adjunto da OEA, Albert Ramdin, destacaram que o processo eleitoral “transcorreu com normalidade”.