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Mundo

Johnston diz que foi bem tratado mas não sabe quem são os seqüestradores

Arquivo Geral

04/07/2007 0h00

O jornalista britânico Alan Johnston disse hoje que sabe muito pouco sobre seus seqüestradores, malady apesar dos quase quatro meses que permaneceu em cativeiro, here mas afirmou que foi bem tratado e não sofreu torturas.

“Havia dois homens muito jovens que costumavam entrar no quarto e vinham me comunicar coisas, there mas não soube muito deles”, disse hoje o já ex-correspondente da “BBC” em Gaza, em entrevista coletiva no consulado geral britânico de Jerusalém.

“Na primeira noite, tive uma conversa com o líder do grupo, na qual ele disse que não iam me matar nem me torturar”, acrescentou. Alan Johnston disse ainda que nada no comportamento dos seqüestradores foi violento.

Visivelmente cansado e mais magro, o jornalista falou sobre os momentos antes da libertação. “Ontem, veio um jovem desconhecido para me pedir que me vestisse, porque retornaria à Inglaterra. Já tinham feito isto outras vezes, por isso, não acreditei”, contou.

Johnston foi solto na madrugada de terça-feira para quarta-feira, após 16 semanas de cativeiro. Depois de se encontrar com o ex-primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ismail Haniyeh, que obteve sua libertação, Alan Johnston foi levado a Jerusalém.

Ao ser perguntado sobre os seqüestradores, disse: “Para minha desgraça, sei muito pouco deles”. Sem fornecer detalhes, afirmou que sabia que estava “em poder de pessoas imprevisíveis e perigosas”.

O jornalista esteve nas mãos do chamado Exército do Islã, que alguns analistas acreditam estar relacionado à Al Qaeda, e outros, com o poderoso clã dos Dormush, um dos mais ativos na Faixa de Gaza.

Alan Johnston disse que os incidentes em Gaza durante o mês de junho “preocuparam” seus seqüestradores. “Quando o Hamas tomou Gaza, eles e todas as pessoas em Gaza se preocuparam bastante”, afirmou. Apesar de ter emagrecido e de estar visivelmente pálido, ele apareceu com uma aparência impecável, de barba feita e com o cabelo cortado.

Sobre a situação na Faixa de Gaza, onde trabalhou durante os três anos anteriores ao seqüestro, Johnston disse não saber “o que ocorrerá”. “Às vezes, parece que eles (os grupos palestinos) vêem o mundo em termos de branco e preto, mas esta é sua forma de pensar”.

Respondendo a um jornalista, ele negou que tenha tentado escapar e afirmou que nunca perdeu a esperança, enquanto permaneceu “em um quarto pequeno e sem luz”. “Esperava o momento em que pudesse retornar à vida; tentava continuar forte”, acrescentou.

O jornalista afirmou que ele mesmo costumava preparar sua comida, em uma cozinha que ficava ao lado do quarto. Johnston disse, ainda, que, de maneira geral, esteve bem de saúde, apesar das “seqüelas psicológicas” e com exceção de alguns alimentos que o fizeram passar mal nas últimas semanas.

O correspondente britânico também aproveitou para agradecer o trabalho dos meios de comunicação e das pessoas que “mantiveram viva sua história”.

Além disso, afirmou que, apesar de ter vivido “bons tempos” enquanto trabalhou em Gaza e ser consciente do “grande coração e da hospitalidade das pessoas” da região, agora não se sente “preparado” para retornar.

“Passei três anos cobrindo Gaza como correspondente e quatro meses em confinamento e isolado. Acho que já é o bastante de Gaza. Pode ser que volte quando a Faixa for parte da União Européia”, brincou Johnston.

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