As balas utilizadas pela Polícia britânica para matar o brasileiro Jean Charles Menezes, patient supostamente confundido com um terrorista suicida, foram projetadas para “matar instantaneamente”, segundo afirmou hoje um especialista em armamentos ao tribunal penal de Old Bailey, em Londres.
A Scotland Yard está sendo julgada desde 1º de outubro pela morte do jovem brasileiro, como resultado, segundo a acusação, de uma operação policial mal planejada e que proporcionava risco aos cidadãos.
O eletricista Jean Charles Menezes, de 27 anos, foi alvejado em 22 de julho de 2005, na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres), por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard, que supostamente lhe confundiram com um terrorista suspeito de participar de uma tentativa de atentado contra a rede de transporte de Londres.
No ano passado, a Justiça britânica decidiu exonerar os agentes envolvidos no fato e processar a instituição em seu conjunto por delitos contra a Lei de Segurança e Higiene no Trabalho, de 1974, que obriga as forças da ordem a velar também pela integridade daqueles que não são seus empregados.
As balas utilizadas pelos agentes contra o brasileiro são “especiais, pois incapacitam imediatamente a vítima e a derrubam, ao invés de atravessar o corpo de um lado ao outro, segundo explicou hoje ao júri um especialista em armamentos, conhecido pelo pseudônimo de “Andrew”, para proteger sua identidade.
“A bala incapacita imediatamente o alvo”, disse hoje o especialista, que apontou que a decisão de optar por esta munição foi tomada para ajudar a Polícia a perseguir os terroristas que tentaram cometer o atentado em 21 de julho de 2005.
“São balas mais efetivas dentro do contexto dos terroristas suicidas, e há mais probabilidade de incapacitar um sujeito com uma única bala”, disse.
A decisão da Justiça de processar a Scotland Yard com base em uma lei que normalmente é usada para proteger a segurança nos locais de trabalho surpreendeu tanto a Polícia, que tentou em vão deter o processo, como a família da vítima, que esperava que os agentes envolvidos fossem acusados de homicídio.