O Governo do Japão ordenou hoje o retorno dos navios no Oceano Índico que forneciam combustível às forças americanas que combatem o terrorismo no Afeganistão, nurse devido à recusa da oposição japonesa a prorrogar este apoio.
O ministro da Defesa japonês, ed Shigeru Ishiba, nurse ordenou hoje às 15h (4h de Brasília) o retorno do avião de abastecimento Tokiwa e do destróier Kirisame ao Japão, pondo fim a seis anos de apoio japonês aos Estados Unidos e seus aliados no Oceano Índico.
A decisão de retirada ocorreu contra a vontade do Governo japonês, que teve que ceder à postura da oposição japonesa contrária a prorrogação da Lei Antiterrorista, que permitiu até agora o apoio aos americanos em sua missão do Afeganistão.
No entanto, o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, disse hoje que o Executivo fará todo o possível para aprovar uma lei que permita retomar as tarefas porque o apoio aos Estados Unidos na guerra contra o terrorismo é de “interesse nacional” do Japão.
A principal bancada oposicionista, o Partido Democrático (PD), justificou a rejeição a esta missão ao afirmar que a Constituição japonesa não permite operações militares no exterior. E também que os navios no Oceano Índico forneceram combustível a embarcações envolvidas no conflito do Iraque em pelo menos uma ocasião, algo vedado pela Lei Antiterrorista.
Após a vitória do PD nas eleições à Câmara Alta em julho, que deu ao partido o controle total do Senado, a possibilidade de a oposição chegar ao poder na próxima legislatura se tornou alta.
O potencial real de chegar ao poder em breve, somado à capacidade de bloqueio no Senado adquirida em julho, encorajou a oposição – liderada pelo presidente do PD, Ichiro Ozawa – a assumir um papel mais ativo do que o habitual na esfera pública japonesa.
A força adquirida pela oposição pôde ser observada quando a pressão exercida por Ozawa sobre o antecessor de Fukuda, Shinzo Abe, acabou com um Governo que tinha sobrevivido a várias demissões e mesmo a um suicídio, relacionados principalmente com casos de corrupção.
O Partido Liberal Democrático (PLD), que mantém ampla maioria na Câmara Baixa, substituiu Abe por Fukuda. Mas, assim como seu antecessor, este se viu incapaz de conseguir com que a oposição aprovasse o apoio militar aos EUA no Oceano Índico.
A presença indireta do Japão na guerra contra o terrorismo do Afeganistão é fundamental para o PLD, pois representa um afastamento do pacifismo estrito previsto pela Constituição japonesa, redigida durante a ocupação americana após a Segunda Guerra Mundial.
Assim como grande parte da classe política japonesa e contra a imagem que projeta atualmente, o líder da oposição sempre foi partidário de que o Japão retome um status político e militar que se iguale ao potencial econômico.
No entanto, a possibilidade de governar o país motivou Ozawa a ir contra a elite política japonesa, que tenta se desfazer de um pacifismo forçoso interpretado pelo PLD como uma camisa de força que impede o Japão de competir em igualdade de condições.
O PLD começou as reformas institucionais no Governo de Junichiro Koizumi e continuou no de Abe, que promoveu a idéia de que o Japão precisa de uma mudança na Constituição que exclua o artigo 9, que impõe a renúncia formal à guerra.