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Mundo

Iuane e mudança climática levam tensão à cúpula entre China e UE

Arquivo Geral

30/11/2009 0h00

A 12ª Cúpula entre China e União Europeia, realizada hoje na cidade chinesa de Nanquim, foi marcada por muita tensão, já que Pequim considerou “injustas” as críticas à instabilidade do iuane e pediu a Bruxelas que dê exemplo e prometa que reduzirá a emissão de gases poluentes na cúpula de Copenhague.

Normalmente moderado, o premiê chinês, Wen Jiabao, defendeu com veemência a política econômica do país ao afirmar, na presença do presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, que é “injusto” que o bloco lhe peça uma valorização de sua moeda.

A UE pressionou ontem Wen para que fosse realizada uma apreciação do iuane “gradual e ordenada”, mas o primeiro-ministro chinês reagiu às pressões justificando a medida e afirmando que a estabilidade da divisa “é crítica para a estabilidade econômica da China”.

“No contexto de uma crise financeira internacional de um tipo pouco comum na história, manter a estabilidade básica do câmbio do iuane beneficiou o desenvolvimento econômico da China e a recuperação econômica mundial”, assegurou.

“Agora alguns países (em alusão à UE e os Estados Unidos), por um lado, querem que o iuane aumente seu valor, e por outro, realizam um protecionismo descarado contra a China”, disse o primeiro-ministro chinês.

O espanhol Joaquín Almunia, comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, afirmou que os chineses “são conscientes” de que um iuane abaixo de seu valor real é o que gera “tensões protecionistas”.

Contudo, Wen disse que os problemas comerciais devem ser resolvidos para que não se caia no protecionismo, e que seu país e a UE deveriam cultivar uma “confiança mútua” e atuar “como amigos, não como rivais”.

Ele deu estas declarações também diante do primeiro- ministro da Suécia, Fredrick Reinfeldt, que ostenta a Presidência rotativa da UE.

Faltando mais de uma semana para a Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, Wen também falou sobre o pedido da UE para que a China melhore a proposta sobre a redução da emissão de gases poluentes apresentada semana passada.

Wen ressaltou que o compromisso anunciado por seu país é “sério”, com base em estudos de viabilidade e em um planejamento “científico e consistente com a realidade”.

Na semana passada, Pequim ofereceu uma redução de entre 40 e 45% de sua intensidade de carbono para 2020 (emissão de dióxido de carbono por unidade de PIB) em relação a 2005. Entretanto, o compromisso está condicionado ao desenvolvimento econômico do gigante asiático.

Um dia antes, os EUA anunciaram que caíram as emissões em 17% para 2010 também com base em 2005, enquanto a UE ofereceu redução em 20% e até 30% para 2020, em comparação a 1990, se houver acordo.

As perguntas parecem ter irritado Durão Barroso: após a assinatura de projetos bilaterais nos âmbitos ambiental e de cooperação, ele cancelou uma sessão de perguntas com a imprensa.

Horas depois, Wen propôs à UE, durante o encerramento da quinta cúpula de negócios China-UE – paralela ao encontro político -, estimular a cooperação em alta tecnologia e em experiências de energias limpas, abrir mais os dois mercados e “evitar toda forma de protecionismo”.

A cúpula, apesar de colocar em evidência diferenças entre ambas as partes, deu lugar, segundo Barroso, a “conversas que mostram a maturidade de nossa relação, que se desenvolve sem complexos e sem rivalidades”.

“A UE representa a maior economia do mundo, ao passo que a China é o país que mais se desenvolve em todo o planeta. Por isso uma boa coordenação interessa a ambas as partas”, afirmou Wen.

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    Normalmente moderado, o premiê chinês, Wen Jiabao, defendeu com veemência a política econômica do país ao afirmar, na presença do presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, que é “injusto” que o bloco lhe peça uma valorização de sua moeda.


    A UE pressionou ontem Wen para que fosse realizada uma apreciação do iuane “gradual e ordenada”, mas o primeiro-ministro chinês reagiu às pressões justificando a medida e afirmando que a estabilidade da divisa “é crítica para a estabilidade econômica da China”.


    “No contexto de uma crise financeira internacional de um tipo pouco comum na história, manter a estabilidade básica do câmbio do iuane beneficiou o desenvolvimento econômico da China e a recuperação econômica mundial”, assegurou.


    “Agora alguns países (em alusão à UE e os Estados Unidos), por um lado, querem que o iuane aumente seu valor, e por outro, realizam um protecionismo descarado contra a China”, disse o primeiro-ministro chinês.


    O espanhol Joaquín Almunia, comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, afirmou que os chineses “são conscientes” de que um iuane abaixo de seu valor real é o que gera “tensões protecionistas”.


    Contudo, Wen disse que os problemas comerciais devem ser resolvidos para que não se caia no protecionismo, e que seu país e a UE deveriam cultivar uma “confiança mútua” e atuar “como amigos, não como rivais”.


    Ele deu estas declarações também diante do primeiro- ministro da Suécia, Fredrick Reinfeldt, que ostenta a Presidência rotativa da UE.


    Faltando mais de uma semana para a Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, Wen também falou sobre o pedido da UE para que a China melhore a proposta sobre a redução da emissão de gases poluentes apresentada semana passada.


    Wen ressaltou que o compromisso anunciado por seu país é “sério”, com base em estudos de viabilidade e em um planejamento “científico e consistente com a realidade”.


    Na semana passada, Pequim ofereceu uma redução de entre 40 e 45% de sua intensidade de carbono para 2020 (emissão de dióxido de carbono por unidade de PIB) em relação a 2005. Entretanto, o compromisso está condicionado ao desenvolvimento econômico do gigante asiático.


    Um dia antes, os EUA anunciaram que caíram as emissões em 17% para 2010 também com base em 2005, enquanto a UE ofereceu redução em 20% e até 30% para 2020, em comparação a 1990, se houver acordo.


    As perguntas parecem ter irritado Durão Barroso: após a assinatura de projetos bilaterais nos âmbitos ambiental e de cooperação, ele cancelou uma sessão de perguntas com a imprensa.


    Horas depois, Wen propôs à UE, durante o encerramento da quinta cúpula de negócios China-UE – paralela ao encontro político -, estimular a cooperação em alta tecnologia e em experiências de energias limpas, abrir mais os dois mercados e “evitar toda forma de protecionismo”.


    A cúpula, apesar de colocar em evidência diferenças entre ambas as partes, deu lugar, segundo Barroso, a “conversas que mostram a maturidade de nossa relação, que se desenvolve sem complexos e sem rivalidades”.


    “A UE representa a maior economia do mundo, ao passo que a China é o país que mais se desenvolve em todo o planeta. Por isso uma boa coordenação interessa a ambas as partas”, afirmou Wen

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