O Governo italiano afirmou hoje que “jamais autorizou nenhuma forma de pagamento” a líderes talibãs no Afeganistão e que processará o jornal britânico “The Times”, que assegurou que os serviços secretos da Itália subornaram insurgentes para evitar ataques contra as tropas do país.
O jornal informou em sua edição de hoje que os serviços secretos italianos subornaram talibãs no Afeganistão com dezenas de milhares de dólares para evitar ataques contra as forças do país europeu, mas ocultaram estes pagamentos das tropas franceses que substituíram as da Itália em 2008.
A matéria do “The Times”, que cita fontes militares ocidentais, gerou grande inquietação na Itália, onde, imediatamente, o Palácio Chigi, sede da Presidência do Conselho de Ministros, emitiu um comunicado no qual qualificou de “totalmente infundadas” as acusações do jornal.
Em resposta ao “The Times”, o Governo do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, ressaltou que “jamais autorizou nenhuma forma de pagamento de somas de dinheiro a membros da insurgência da matriz talibã no Afeganistão, nem tem conhecimento de iniciativas similares” na Administração anterior.
O Governo italiano qualificou as acusações de “infundadas”. “Como prova disso é suficiente lembrar que só na primeira metade de 2008 o contingente italiano no Afeganistão sofreu diversos ataques e especificamente na área do distrito de Sarobi, no dia 13 de fevereiro de 2008, morreu o subtenente Francesco Pezzulo”.
Ressaltou ainda que a atuação das tropas italianas, em particular no distrito de Sarobi, foi reconhecida pelo general americano da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) David Mckierman, então comandante-em-chefe das forças da aliança no Afeganistão.
Por sua parte, o ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, após qualificar de “lixo” a informação do jornal britânico, anunciou que vai processar o “The Times”.
“A notícia de que pagávamos os talibãs para não sermos atacados é ofensiva para nossos mortos e para nossos militares”, afirmou, no Conselho de Ministros.