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Israel e Hamas acertam troca de prisioneiros após anos de negociação

Arquivo Geral

11/10/2011 22h10

Israel acertou nesta terça-feira um acordo com o movimento islâmico Hamas para uma troca de prisioneiros que soltará mais de mil palestinos e, em contrapartida, libertará o soldado israelense Gilad Shalit, mantido refém desde junho de 2006.

 

Após anos de intensas negociações com mediação egípcia e alemã, as duas partes finalizaram um pacto que seria submetido a votação ainda nesta terça-feira no Gabinete de Governo israelense, e que deve ser aprovado por grande maioria.

 

Segundo anunciou em Damasco o líder do braço político do Hamas, Khaled Mashaal, o acordo representará a libertação de 1.027 palestinos, dos quais 315 cumprem penas de prisão perpétua.

 

O líder do movimento islâmico não divulgou a lista completa dos libertados, mas assegurou que não vai restar nenhuma mulher palestina nas prisões israelenses.

 

Também informou que a libertação será realizada por etapas. A primeira ocorrerá dentro de uma semana e dará lugar na saída de 450 reclusos.

 

Na fase seguinte, que ocorreria previsivelmente depois que Shalit fosse entregue às autoridades egípcias, os demais prisioneiros seriam libertados.

 

Fontes palestinas na Faixa de Gaza declararam à rede de televisão “Al Quds”, ligada ao Hamas, que entre os prisioneiros a serem libertados estará o carismático Marwan Barghouti, líder do Fatah, que cumpre cinco penas de prisão perpétua e que, para muitos, poderia se transformar no próximo presidente palestino.

 

Outro dos destacados líderes que será libertado é o chefe da Frente Popular de Libertação da Palestina, Ahmed Saadat, condenado pelo assassinato em 2001 do então ministro de Turismo israelense, Rehavam Zeevi, segundo as mesmas fontes.

 

Na Faixa de Gaza, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas para festejar a notícia, depois que esta fosse confirmada pelo Hamas, que governa de fato o território e cujo braço armado, as Brigadas de Ezzeldin Al-Qassam, participou junto a outras duas milícias na captura do jovem militar israelense.

 

Os principais atos de realização ocorreram no norte da Faixa de Gaza e no campo de refugiados de Jabalya, onde milicianos de diversos grupos deram tiros para o ar em sinal de alegria pelo acordo, segundo constatou a Agência Efe.

 

Em Jerusalém, dezenas de pessoas e meios de comunicação se concentravam perto da tenda de campanha que os pais do soldado Shalit mantêm há dois anos às portas da residência do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, para exigir-lhe que seguisse trabalhando pela libertação de seu filho.

 

Os pais do militar recebiam abraços emocionados de parentes e conhecidos, assim como de cidadãos que se aproximaram para expressar solidariedade.

 

Gilad, de 25 anos e que tem também nacionalidade francesa, foi capturado com 19 anos quando prestava serviço militar obrigatório e fazia guarda na fronteira com a Faixa de Gaza.

 

Seu irmão, Joel Shalit, declarou à imprensa que toda a família “está comovida” depois dos cinco anos que estão “esperando ansiosamente por este momento”.

 

Netanyahu confirmou, em um discurso televisionado, que submeteria o acordo a votação ainda nesta terça-feira, em reunião de emergência de seu Gabinete. Ele qualificou as negociações – realizadas na última semana no Cairo com mediação alemã e egípcia – como “muito demoradas e árduas” e assinalou que “a decisão foi muito difícil”.

 

“Há dois anos e meio, considerei uma prioridade a libertação de Gilad para devolvê-lo a sua família são e salvo, (..) e nas últimas semanas foram retomadas as negociações no Cairo com mediação do Governo egípcio”, disse Netanyahu no início da reunião extraordinária com seu Conselho de Ministros.

 

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que se encontra de visita oficial a Caracas, elogiou o acordo e afirmou que as autoridades palestinas continuarão trabalhando pela libertação de todos os detidos em prisões israelenses, informou a agência oficial de notícias palestina “Wafa”.

 

Segundo a televisão estatal israelense, 203 dos presos palestinos que serão postos em liberdade serão exilados – alguns deles fora da região – e cerca de 40 deverão ser enviados à Faixa de Gaza, embora sejam procedentes da Cisjordânia, onde vivem suas famílias.

 

Conforme dados da Autoridade Nacional Palestina (ANP), há mais de 6 mil palestinos nas prisões israelenses, entre eles 38 mulheres, 280 menores de idade, 22 membros do Parlamento e 270 em condição de detenção administrativa.

 

Nas últimas duas semanas, os presos palestinos realizam uma greve de fome intermitente e desobediência em protesto contra as condições de encarceramento, que deu lugar a várias manifestações e atos de apoio aos prisioneiros na ruas palestinas.

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