A afirmação foi feita em entrevista coletiva conjunta após a reunião entre Livni e Rice em um hotel de Jerusalém, como parte da viagem que a secretária americana faz pela região para promover a realização de uma Conferência de Paz até o fim do ano. “Há um Governo na Autoridade Nacional Palestina (ANP) baseado nos princípios internacionais e fundamentais para a paz. Esta é uma oportunidade que não deve ser perdida”, afirmou Rice.
Perguntada sobre a situação em Gaza, controlada pelo Hamas desde 14 de junho, ela respondeu: “No final, o povo palestino terá que escolher em que tipo de mundo quer viver. Está muito claro que o que aconteceu em Gaza foi contra a legitimidade palestina. Não vamos abandonar o povo de Gaza nas mãos do Hamas”.
Livni destacou que o Governo nomeado pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas, “cumpre os requisitos da comunidade internacional, acredita na solução de dois Estados e tomou a decisão de mudar a situação, por isso Israel não deixará esta oportunidade passar”. “É um momento crucial, uma oportunidade para que o mundo árabe apóie os moderados”, ressaltou.
A chanceler considerou “encorajador” o anúncio do ministro das Relações Exteriores saudita, o príncipe Saud al-Faisal, de que o país deseja participar da Conferência de Paz para o Oriente Médio convocada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
A conferência, da qual ainda não se sabe o lugar nem a data em que será realizada, é o principal objetivo da viagem da secretária de Estado americana.
O Escritório do Primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, com quem Rice se reuniu na terça-feira à noite em Jerusalém, também aprovou a decisão da Arábia Saudita de participar da conferência de paz.
“Esperamos que muitos Estados árabes participem, inclusive a Arábia Saudita”, afirmou o porta-voz do Governo, David Baker, ao comentar o anúncio do príncipe Saud al-Faisal.
O encontro “teria que servir como cobertura para as negociações bilaterais de paz entre Israel e os palestinos”, acrescentou o porta-voz israelense.
Por enquanto, não se sabe se a reunião, prevista para outubro ou novembro, será realizará no Oriente Médio, em Washington ou sob o apoio da ONU em Nova York.
As reservas sauditas em relação à iniciativa de Bush incluem o medo de que os verdadeiros problemas não sejam tratados: a criação de um Estado palestino, a definição de fronteiras definitivas, a questão do retorno dos refugiados e a partilha de Jerusalém.
Israel continua defendendo que as partes devem negociar os assuntos menos complicados agora e deixar os temas mais espinhosos do conflito para o futuro.
Este ponto de vista foi lembrado por Livni na entrevista coletiva com Rice, ao ser perguntada sobre a questão dos refugiados e o status de Jerusalém num eventual acordo de paz entre israelenses e palestinos.
Para ela, é melhor alcançar inicialmente um “máximo comum denominador, porque às vezes não é sábio abordar primeiro os temas mais delicados”.
Rice também se reuniu hoje com o ministro da Defesa, o trabalhista Ehud Barak, e com o presidente israelense, Shimon Peres.
Barak defendeu a “construção de um horizonte político com os palestinos para tornar sua vida mais fácil”, mas disse que a “principal prioridade” de Israel é a “segurança” de seus cidadãos.
Já Peres destacou que toda vez que Rice chega à região leva “esperança e desafios”.
“Acho que a secretária de Estado conduziu uma política que nos aproxima do capítulo principal nas negociações com os palestinos”, afirmou o presidente israelense.
Ele defendeu uma ação conjunta em escala regional, nos planos diplomático e econômico, para instaurar a paz no Oriente Médio.
Rice encerrará hoje sua agenda em Israel com um jantar de trabalho com Olmert.
Na quinta-feira, a secretária viajará para Ramala, na Cisjordânia, sede da ANP, para se reunir com o primeiro-ministro, Salam Fayyad, e com o presidente, Mahmoud Abbas.