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Israel diz que 25 mil civis palestinos foram mortos em bombardeios contra Gaza

Segundo Tel Aviv, foram 25 mil terroristas e 25 mil civis mortos por bombardeios israelenses, além de 6.000 mortos pelo Hamas e outros 15 mil óbitos de causas naturais.

Redação Jornal de Brasília

30/01/2026 19h43

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Foto por JACK GUEZ / AFP

VICTOR LACOMBE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

As Forças Armadas de Israel disseram nesta sexta-feira (30) que bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza mataram 25 mil civis ao longo da guerra, que começou com o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023 e terminou com o cessar-fogo no final do ano passado.


Os militares detalharam o número, divulgado na quinta (29), de 71 mil palestinos mortos durante todo o conflito -valor semelhante ao informado pelo Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, que fala em 71.667 mortos mas não faz distinção entre combatentes ou civis.


Segundo Tel Aviv, foram 25 mil terroristas e 25 mil civis mortos por bombardeios israelenses, além de 6.000 mortos pelo Hamas e outros 15 mil óbitos de causas naturais.


De acordo com as Forças Armadas, os 25 mil civis foram mortos “em decorrência das operações militares israelenses, apesar dos alertas prévios e esforços de mitigação” -Tel Aviv dispara mensagens em árabe para que palestinos se desloquem de regiões prestes a ser atacadas.


Essa prática é criticada por especialistas em Direito Internacional, que dizem que ela não suspende a obrigação de Israel de evitar mortes civis. Sua eficácia também é alvo de disputa, uma vez que há relatos de avisos feitos sem tempo hábil para o deslocamento ou sem que houvesse lugar seguro para onde fugir.


Sobre os 25 mil terroristas que afirma ter matado, o Exército israelense diz que “muitos destes eram apresentados pelo Hamas como ‘jornalistas’, ‘professores’ ou ‘profissionais de saúde’ para mascarar sua verdadeira função operacional”.


A guerra em Gaza foi a mais letal para profissionais da imprensa já registrada, de acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, e pelo menos 224 profissionais de saúde e ajuda humanitária foram mortos, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) -a maioria ligada à UNRWA, a agência da ONU para a Palestina que Tel Aviv acusa de cooperação com o Hamas e que o governo Binyamin Netanyahu proibiu de atuar no país.


As Forças Armadas de Israel dizem ainda que 15 mil pessoas morreram em Gaza de causas naturais, afirmando que o Hamas “frequentemente apresenta casos de pacientes terminais ou idosos com condições graves como ‘mortos de fome’ para fins propagandísticos”.


Um estudo conduzido pela Universidade de Londres e publicado em 2025 disse que, de outubro de 2023 a março de 2025, houve 8.000 mortes não violentas a mais do que seria o esperado, indicando possíveis casos de falta de tratamento médico adequado e remédios ou fome. Além disso, a fome na Faixa de Gaza foi confirmada pela ONU e constatada por diversas outras organizações internacionais que trabalham no território.


Por fim, Tel Aviv diz ainda que 6.000 palestinos foram mortos pelo próprio Hamas, seja em lançamento de foguetes que caíram dentro da Faixa de Gaza (segundo a conta israelense, 13% dos 15 mil mísseis lançados) ou execuções sumárias de supostos dissidentes.


“A morte de civis de ambos os lados é muito trágica para nós e cada uma delas pesa”, diz o porta-voz das Forças Armadas de Israel Rafael Rozenszajn. “Mas o fato é que essa distinção dentro do contexto geral de 71 mil registros mostra que a responsabilidade sempre pautou as ações do Exército israelense”.


Se o número apresentado por Israel for verdadeiro, isso tornaria a guerra em Gaza uma das menos letais para civis da era moderna. No geral, em cenários de conflitos urbanos, dois civis são mortos para cada combatente (2:1), com a taxa podendo chegar a nove civis para cada militar morto (9:1). Os dados publicados por Tel Aviv sugerem uma taxa de 1:1.


O estudo da Universidade de Londres, entretanto, disse em julho de 2025 que 56% dos mortos eram mulheres, crianças ou idosos. Supondo 71 mil óbitos ao longo de toda a guerra -um número que, segundo analistas, pode ser muito maior–, essa estimativa sugere que houve quase 40 mil mortes de civis, presumindo-se que todos os homens jovens eram combatentes –uma hipótese improvável.


“Em nenhum momento Israel negou que pessoas inocentes morreram em Gaza”, diz Rozenszajn. “Vale lembrar que travamos uma guerra urbana em um território complexo e densamente povoado e em que os terroristas não só se misturam aos civis, como os utilizam como escudos humanos.”


O número de mulheres e crianças mortas no conflito, bem como a restrição de ajuda humanitária e de suprimentos básicos, destruição de hospitais, escolas e outros prédios civis, e declarações de autoridades israelenses contra palestinos fez com que entidades como a Anistia Internacional acusassem Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza.


Tel Aviv e aliados, como os Estados Unidos, negam a acusação, que foi feita também em denúncia da África do Sul na Corte Internacional de Justiça -à qual o Brasil se juntou em julho de 2025. O caso ainda está em julgamento.


O cessar-fogo entre Israel e Hamas, em vigor há quase quatro meses, deverá entrar em um momento crítico. Na segunda (26), o corpo do último refém que estava em Gaza foi encontrado e repatriado para Israel, momento simbólico que, ao mesmo tempo, representa o fim da primeira fase do acordo, mediado por Donald Trump.


A fase seguinte prevê que Israel reabra a passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e Egito, permitindo a entrada de pessoas, ajuda humanitária e mercadorias. Já o Hamas precisa, de acordo com os termos do tratado, entregar suas armas e aceitar o governo tecnocrático palestino supervisionado pelo Conselho da Paz de Trump.


O grupo terrorista, entretanto, não dá sinais de que vai aceitar a condição. Nesta quinta, Moussa Abu Marzouk, um dos líderes do Hamas, disse em entrevista à emissora Al Jazeera que a facção “nunca concordou” com a entrega de armas. No mesmo dia, Trump disse que “parece que o Hamas vai se desarmar”.

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