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Israel bombardeia Beirute em escalada contra Irã e Hezbollah

Ataques intensos seguem evacuação de subúrbios sul da capital libanesa, enquanto Trump exige participação na escolha do novo líder supremo iraniano.

Redação Jornal de Brasília

06/03/2026 9h00

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Foto por ANWAR AMRO / AFP

Israel realizou bombardeios intensos em Beirute nesta sexta-feira (6), após ordenar a evacuação de todos os subúrbios sul da capital libanesa. A ação representa uma expansão da guerra contra o Irã, iniciada há uma semana ao lado dos Estados Unidos, visando erradicar centros do Hezbollah, milícia xiita aliada de Teerã.

Os ataques israelenses, que incluíram 26 ondas durante a noite, tiveram como alvos centros de comando e instalações de armazenamento de armas do Hezbollah. A milícia disparou mísseis contra Israel nesta semana em retaliação à morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, em bombas israelenses no primeiro dia da guerra. Explosões iluminaram o céu noturno sobre os subúrbios sul de Beirute, forçando centenas de milhares de moradores a fugir.

“Estamos dormindo aqui nas ruas — alguns em carros, outros na rua, outros na praia”, relatou Jamal Seifeddin, 43 anos, que escapou dos subúrbios e passou a noite no centro da capital sem cobertor. Israel, que interveio no Líbano diversas vezes nas últimas décadas, incluindo uma campanha de bombardeios em 2024 que enfraqueceu o Hezbollah, ordenou uma retirada ampla nesta ocasião, algo sem precedentes na história recente de conflitos na região.

Paralelamente aos ataques em Beirute, Israel lançou nova onda de bombardeios contra o Irã, mirando a infraestrutura da capital Teerã. Dentro de Israel, defesas aéreas foram ativadas para interceptar mísseis e drones iranianos direcionados ao coração de Tel Aviv, com explosões audíveis. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã reivindicou a operação combinada. Além disso, drones iranianos atacaram a base aérea norte-americana de Al Udeid, no Catar, sem registro de vítimas, segundo autoridades locais.

Em meio à escalada, o presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu o direito de ajudar a escolher o sucessor de Khamenei, que deverá ser um clérigo muçulmano xiita sênior selecionado por um painel de especialistas religiosos. “Teremos que escolher essa pessoa junto com o Irã”, afirmou Trump em entrevista por telefone à Reuters na quinta-feira. A declaração pode complicar o fim rápido da guerra, preservando o sistema clerical iraniano.

Israel declarou abertamente o objetivo de derrubar o governo do Irã, enquanto Washington busca eliminar a capacidade de Teerã de projetar força além de suas fronteiras, convidando os iranianos a se rebelarem. O Irã classificou a guerra como um ataque não provocado e a morte de Khamenei como assassinato. As autoridades iranianas afirmam que o painel responsável pela sucessão está trabalhando, com o filho de Khamenei, Mojtaba, como principal candidato linha-dura. Inicialmente prevista para ser rápida, a escolha foi afetada pelo adiamento indefinido de um período de três dias de luto, anunciado na quarta-feira.

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