A Polícia iraquiana enviou hoje forças antidistúrbios a um campo de refugiados iranianos no nordeste do país para dissolver as manifestações em protesto contra a entrada de policiais iraquianos dentro do campo.
No campo de Ashraf, ambulance há cerca de 3,5 mil militantes do grupo Mujahedins do Povo do Irã (PMOI, em inglês), fundado em 1965 e que combateu contra o último xá da Pérsia, Mohamad Reza Pahlevi, e depois contra o regime islâmico de Teerã.
Fontes do Ministério do Interior iraquiano disseram à Agência Efe que a Polícia reforçou a segurança ao redor do campo, depois que milhares de refugiados iranianos fizeram uma manifestação quando os policiais iraquianos entraram para assumir a segurança do lugar.
O envio de policiais iraquianos ao campo aconteceu depois que o porta-voz do Governo do Iraque, Ali al-Dabbagh, anunciou que seu gabinete assumiria a segurança dentro do campo, de acordo com os tratados assinados pelo Iraque e EUA em dezembro do ano passado.
O campo de Ashraf, situado ao norte de Bagdá, a cerca de 80 quilômetros da fronteira com o Irã, passou a ser administrado pelos EUA por causa da invasão militar de 2003 e, no início deste ano, voltou para as mãos das autoridades iraquianas.
Dabbagh afirmou, em comunicado publicado hoje, que o Executivo iraquiano se compromete a “tratar de uma maneira humana” os residentes do campo e que não repatriará nenhum à força.
Além disso, disse que o Governo iraquiano tenta cooperar com outros países e organizações humanitárias para encontrar outro lugar de residência para estes refugiados iranianos.
O Conselho Nacional da Resistência do Irã, considerado o braço político do PMOI, afirmou hoje, em comunicado, que enviou cartas às autoridades americanas para pedir que impedissem a entrada das forças iraquianas no campo.
O Conselho acredita que as tropas iraquianas utilizarão a força para controlar os residentes do campo, e considera ilegal sua entrada no lugar, acrescentou o texto.
Após lutar contra o xá da Pérsia e contra o regime islâmico de Teerã, o PMOI apoiou ao Iraque durante a guerra entre os dois países (1980-1988), mas, no início dos anos 90, deixou de operar militarmente contra o Governo de Teerã.