O Irã lançou mísseis contra Israel nesta terça-feira (24), segundo as Forças Armadas israelenses, um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que houve conversações ‘muito boas e produtivas’ com o objetivo de interromper o conflito no Oriente Médio.
Três autoridades graduadas israelenses, sob condição de anonimato, indicaram que Trump parece determinado a chegar a um acordo, mas consideram altamente improvável que o Irã aceite as exigências americanas em novas negociações. Após o comentário de Trump no Truth Social na segunda-feira, o Irã negou que qualquer negociação tenha sido realizada até o momento.
A embaixada do Irã na África do Sul publicou uma imagem no X zombando da proposta de Trump de controlar o Estreito de Ormuz ao lado do líder supremo iraniano. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que conversou com Trump menos de 48 horas antes do início da guerra entre os dois países, deve convocar uma reunião de autoridades de segurança para discutir a proposta americana, de acordo com duas fontes israelenses.
Uma autoridade paquistanesa mencionou a possibilidade de conversações diretas em Islamabad nesta semana. Os Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, após informarem que não avançaram o suficiente nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, embora o mediador em Omã tenha relatado progresso significativo.
A crise escalou no Oriente Médio, com o Irã atacando países que abrigam bases americanas, atingindo infraestrutura de energia e praticamente fechando o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial. Nesta terça-feira, mísseis iranianos ativaram sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv, causando danos em um prédio de apartamentos, sem clareza imediata se por impacto direto ou destroços de interceptação.
O Serviço de Bombeiros e Resgate de Israel busca civis presos em um prédio e encontrou pessoas em abrigos em outro edifício danificado. As Forças Armadas israelenses informaram que caças promoveram uma onda de ataques no centro de Teerã na segunda-feira, alvos incluindo centros de comando da Guarda Revolucionária Islâmica e do Ministério da Inteligência, além de mais de 50 locais de armazenamento e lançamento de mísseis.
Sistemas de defesa aérea foram ativados em Teerã, com explosões ouvidas em várias áreas, segundo a agência Nournews. Trump adiou por cinco dias um plano para atacar usinas de energia iranianas, caso o país não reabra o Estreito de Ormuz. O Irã prometeu responder alvejando infraestrutura de aliados dos EUA na região.
O recuo de Trump elevou os preços das ações e reduziu os do petróleo para menos de US$ 100 por barril, mas esses ganhos foram ameaçados pelo ataque desta terça-feira. Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, negou negociações, afirmando que ‘fake news’ visam manipular mercados. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã mencionou iniciativas para reduzir as tensões.