A Justiça iraniana executou nesta terça-feira um homem acusado de pertencer ao grupo armado de oposição no exílio da Organização Mujahedin e-Khalq (Combatentes do Povo), ao que Teerã considera terrorista.
Pela agência sindical de notícias local “Ilna”, o réu, identificado como Ali Saremi, foi enforcado ao amanhecer no pátio da prisão de Evin, no norte de Teerã.
No mesmo lugar foi morto, também nesta manhã, outro cidadão iraniano, Ali-Akbar Siadat, acusado de espionar para os serviços secretos israelenses (Mossad).
De acordo com a informação de “Ilna”, que cita um comunicado do Poder Judiciário, Saremi era acusado de Mohareb (guerrear contra Deus ou contra a República Islâmica) e fazer propaganda contra do regime.
A nota explica que o homem “foi detido no inverno de 1983 por colaborar com os Mujahedin Khalq (MKO, na sua sigla em inglês) e condenado a três anos de prisão por uma corte revolucionária, embora a sentença tenha ficado suspensa por cinco anos”.
Foi novamente detido no verão de 1989 pelo mesmo delito e condenado à morte, embora a pena foi reduzida a dez anos de reclusão maior pela Corte Suprema da cidade santa de Qom, acrescenta.
O documento assinala que Saremi viajou em 2002 a “Camp Ashraf”, o campo de refugiados do MKO situado no Iraque, onde teria recebido adestramento terrorista antes de retornar ao Irã, onde retomaria sua atividade publicando o jornal Sarzamin-e Ariya’ie (A pátria ária) e recrutando novos membros.
Em 2005 foi detido novamente, acusado de fazer propaganda contra o regime, condenado de novo a seis anos de prisão, pena posteriormente reduzida a um ano de prisão.
“Finalmente, foi detido mais uma vez no final do verão de 2007, acusado de dirigir reuniões de uma organização antirrevolucionária e condenado à morte, sentença cuja apelação foi rejeitada”, acrescenta o documento.
Fundada na década de 70 como organização de base marxista, os Mujahedin Khalq (Combatentes do Povo) passaram à oposição armada após o triunfo da Revolução Islâmica em 1979 e lançaram ataques contra o regime a partir do Iraque, onde encontraram refúgio sob o Governo de Saddam Hussein.
No ano passado, a União Europeia abriu uma nova via de conflito com o Irã ao retirá-los de sua lista de organizações que patrocinam o terrorismo.
Irã, no entanto, os acusa, entre outros delitos, de participar de manifestações que explodiram após a polêmica reeleição em 2009 do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera fruto de uma fraude maciça.
Durante a repressão das mesmas, foi detido um amplo número de pessoas acusadas de pertencer a esta organização.
No Irã rege uma interpretação da lei islâmica ou Sharia que condena à pena de morte aos assassinos, aos violadores, aos narcotraficantes e a aqueles que façam a guerra a Deus, delito conhecido como “Mohareb” e no qual se inclui a espionagem a favor do inimigo.
Segundo as estatísticas da Anistia Internacional, a República Islâmica é, com mais de 300 execuções por ano, o segundo país do mundo que mais execuções realiza, só atrás da China.