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Irã e Hezbollah creditam cessar-fogo no Líbano à união da Resistência

Governo iraniano e grupo xiita atribuem trégua à capacidade de combate do Eixo da Resistência, enquanto Trump tenta capitalizar o acordo.

Redação Jornal de Brasília

17/04/2026 11h35

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Foto por JALAA MAREY / AFP

O governo iraniano e o grupo político-militar Hezbollah atribuíram o recente cessar-fogo no Líbano à união e à capacidade de combate do Eixo da Resistência, coalizão de grupos opostos às políticas de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem tentado apresentar a trégua como resultado das ações da Casa Branca. No entanto, a cessação das hostilidades no Líbano era uma das exigências de Teerã para prosseguir com as negociações com Washington, cuja segunda rodada está prevista para os próximos dias. Após o acordo, o Irã anunciou a abertura do Estreito de Ormuz para barcos comerciais.

Em comunicado divulgado pela TV Al-Manar, ligada ao Hezbollah, o grupo afirmou ter realizado 2.184 operações militares em 45 dias de combates contra o Exército israelense, com uma média de 49 operações por dia. Essas ações visaram forças israelenses no território libanês, além de alvos em Israel e nos territórios palestinos ocupados, a até 160 quilômetros da fronteira. O texto enfatiza que ‘nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo’, reafirmando o compromisso com a defesa do país.

O chefe do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, que lidera a delegação iraniana nas negociações com os EUA, declarou que o cessar-fogo resulta da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência. ‘A Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo. Cabe à América recuar do erro de ‘Israel em primeiro lugar’. Lidaremos com este cessar-fogo com cautela e permaneceremos juntos até a verificação completa da vitória’, postou ele em uma rede social.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, destacou que o acordo foi fruto dos esforços diplomáticos de Teerã. ‘Desde o início das negociações com várias partes regionais e internacionais, incluindo as de Islamabad, a República Islâmica do Irã tem consistentemente enfatizado a necessidade imperativa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, inclusive no Líbano’, afirmou.

Do lado israelense, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia anunciado planos de ocupar o sul do Líbano até o rio Litani, a 30 quilômetros da fronteira. No dia anterior ao cessar-fogo, Netanyahu instruiu a continuação da guerra para tomar a cidade de Bent Jbel. Segundo o jornal The Times of Israel, os ministros do gabinete receberam a notícia do acordo ‘com surpresa’, e Netanyahu informou que concordou com a trégua a pedido de Trump. A oposição criticou o cessar-fogo como ‘imposto’ a Israel. O portal Ynet relatou que um oficial militar indicou que as tropas continuariam no território libanês apesar do acordo.

O conflito atual entre Israel e Hezbollah teve início em outubro de 2023, quando o grupo xiita começou ataques contra o norte de Israel em solidariedade aos palestinos diante dos massacres na Faixa de Gaza. Um acordo de cessar-fogo em novembro de 2024 não foi respeitado por Israel, que prosseguiu com ataques no Líbano. Em fevereiro de 2025, com a agressão contra o Irã, o Hezbollah retomou os ataques em resposta às violações e ao assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. O cessar-fogo na guerra envolvendo o Irã foi anunciado em 8 de abril, costurado pelo Paquistão, mas Israel continuou os ataques no Líbano, desrespeitando o acordo.

Historicamente, o confronto remonta à década de 1980, quando o Hezbollah foi criado em reação à invasão e ocupação israelense no Líbano para perseguir grupos palestinos. Em 2000, o grupo conseguiu expulsar as forças israelenses. Ao longo dos anos, tornou-se um partido político com assentos no Parlamento e participação em governos. O Líbano sofreu ataques israelenses em 2006, 2009 e 2011.

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