O Irã afirmou hoje que não cooperará mais com a Organização das Nações Unidas (ONU) na investigação de seu programa nuclear caso o Conselho de Segurança do organismo adote um novo regime de sanções contra Teerã.
Essa declaração foi feita em Viena pelo embaixador do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cure Ali Asghar Soltanieh, durante uma reunião do Conselho de Governadores da agência nuclear da ONU.
“Qualquer gesto do Conselho de Segurança terá um impacto negativo sobre a cooperação (do Irã) com a AIEA”, afirmou o representante iraniano.
Soltanieh também acusou os Estados Unidos de terem “uma agenda oculta, de incomodar à AIEA com acusações sem fundamento contra o Irã e de atacar a autoridade do organismo nuclear, enquanto procura aumentar as sanções unilaterais contra seu país”.
As três potências ocidentais no Conselho (EUA, França e Reino Unido) tentam endurecer as sanções contra Teerã por se recusar persistentemente em cumprir as resoluções da ONU.
China e Rússia, as outras potências com direito a veto no Conselho, não querem ditar mais sanções e optam por continuar o diálogo para resolver a crise.
O representante russo perante a Junta constatou ontem no plenário que o alcance do programa nuclear iraniano “não faz sentido (no plano) econômico”. Ele insinuou que Moscou considera a possibilidade de que Teerã possa ter intenções militares nessa área.
Os 35 países-membros do Conselho de Governadores se reuniram ontem e hoje para analisar o estado da investigação do controvertido programa nuclear iraniano.
Segundo o mais recente relatório do diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, a cooperação iraniana melhorou em alguns aspectos, embora tenha denunciado que seus conhecimentos sobre o estado atual do programa nuclear iraniano diminuíram.
Ontem, Estados Unidos e a União Européia pediram ao Irã para cooperar mais e cumprir com as exigências do Conselho de Segurança, principalmente em relação à suspensão do enriquecimento de urânio, a parte mais delicada do programa atômico iraniano.
O urânio enriquecido, uma substância considerada legal pelo direito internacional, pode ter aplicações tanto civis como militares.
Washington e Bruxelas temem que o programa nuclear do Irã tenha objetivo militar, algo que Teerã nega, afirmando que tem apenas fins civis.