A decisão do Irã de construir dez novas usinas nucleares é consequência da resolução de condenação aprovada na sexta-feira pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), afirmou hoje o presidente do organismo iraniano de energia atômica, Ali Akbar Salehi.
Em declarações divulgadas pela imprensa local, o responsável iraniano revelou, além disso, que o regime dos aiatolás pretende construir as novas usinas de enriquecimento de urânio sob colinas e cadeias montanhosas para evitar que possam ser bombardeadas.
“Nós não tínhamos planos para construir mais instalações nucleares como a de Natanz, mas parece que o ocidente não quer compreender a mensagem de paz enviada pelo Irã”, disse Salehi, citado pela televisão estatal.
“O ocidente adotou uma atitude frente ao Irã que obrigou o Governo a ratificar a construção de dez usinas similares à de enriquecimento de urânio de Natanz”, onde aparentemente o Irã tem milhares de centrífugas escondidas sob o solo, acrescentou.
O Conselho de Governadores da AIEA aprovou na sexta-feira, com 25 votos a favor, três contra e seis abstenções, uma resolução de condenação a Teerã pela falta de transparência na gestão de seu programa nuclear.
A resolução condena o Irã, ainda, por ter ocultado a construção de uma nova planta de enriquecimento de urânio perto da cidade de Qom, a sudoeste de Teerã.
Sobre o novo projeto, Salehi detalhou hoje que as centrais serão construídas “no coração das montanhas” e que cada uma delas “terá capacidade para abastecer de combustível derivado do petróleo uma central como o reator de Bushehr”, que a Rússia está construindo há uma década no litoral iraniano do Golfo Pérsico.
“As cinco novas localizações serão construídas no interior das montanhas de modo que não possam ser atacadas”, acrescentou.